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Vovós e vovôs

Dentre as inúmeras lições aprendidas na paternidade, uma das que mais se destaca é a competição invisível entre avôs e avós.

É a celebração da sensação de pôr alguém no mundo que pôs outro alguém no mundo. Agora é só ajudar a criar e curtir o processo.

Prova disso é a frase “ser avó/avô é melhor do que ser mãe/pai”, que já li e ouvi por aí e, se faz a alegria deles, também alegra os profissionais que cuidam das cabeças das mamães e papais. Há o lamento de um amigo do meu pai, que o viu “furar a fila saindo de zero para quatro netinhos e netinhas em três anos”.

Ou o diálogo de outro dia. Entrei no táxi e para o espanto de zero pessoas que me conhecem, engatei numa conversa com o motorista. Falamos sobre trânsito, cidade, carros. Na hora que ele parou para que eu descesse, o tema foi netos.

Em uma conversa que demorou o tempo de um PIX, ele me perguntou se estava tudo bem, afinal, entrei no carro saindo do hospital. Eu o tranquilizei, disse que sim, foi só um ecocardiograma para investigar o soprinho no coração da Maria Tereza e está tudo certo, dentro da normalidade.

– Nossa, nem me fala! Meu netinho fez esse exame também e é um susto danado!

Aí eu fiz uma pergunta que mudou o seu semblante de “motorista tranquilo” para o modo “avô super orgulhoso”: “O senhor só tem um neto?”

– Um?? Eu tenho NOVE netos!

E desbloqueou o telefone, abriu o álbum de fotos para mostrar a imagem de cada um deles, como um artista apreciando seu trabalho.

Eu abri a porta e antes de me despedir, perguntei se é verdade que ser avô é melhor do que ser pai. (“É pro meu TCC”, vou começar a falar).

– Com certeza!

Saí com um sorriso no rosto e certo de que o orgulho desse vovô com seus netos é o mesmo que aparece lá em casa e tantos outros lugares.

Que sorte!

Tetê

Algumas madrugadas atrás, quando o sol ainda transitava em Sagitário, a Maria Tereza nasceu.

Um momento com similaridades (tipo as longas e ansiosas horas do trabalho de parto) e diferenças (levar uma bebê para casa 36 horas depois do nascimento) em relação ao do Samuel.

Eram 4h51 quando vi essa mãozinha e todo o corpinho besuntados de vérnix, saindo do campo cirúrgico para o conforto dos braços e colo da Carol. A visão ficou embaçada vendo este primeiro encontro de uma filha esperada com sua mãe, uma mulher forte e que conduziu todo o processo de uma forma linda.

Sua chegada reforça o que vinha pensando nos últimos meses sobre ser presente. Quero dar suporte e acompanhar suas descobertas e construções na companhia do irmão mais velho, dos primos e prima.

Fico feliz que ela nasceu com o presente de estar rodeada por tantas pessoas queridas. Uma rede familiar, de suporte e afeto que me enche de orgulho.

E se é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança, espero que ela saiba que irei fazer a minha parte para que esse espaço seja mais colorido e cordial.

Seja bem-vinda, meu amor. Te prometo piadinhas, brincadeiras, caminhadas para explorarmos esse mundão.

Ademais, posso colocar na minha biografia que sou pai de duas crianças lindas e que as quatro mulheres mais importantes da minha vida (mãe, irmã, esposa e filha) são sagitarianas. Estava escrito nas estrelas.

Sobre cabelos e eletrodos

Desbloqueei um exame novo no meu repertório: eletroencefalograma. Nunca tinha feito até ontem.

Originalmente, era pra ser no mês passado, mas a privação de sono me fez errar o data. Apareci um dia depois do agendado. Enfim, acontece.

Agora fiz tudo certo. Levei todos os documentos, segui o preparo à risca, exceto a orientação de levar um pente e uma toalhinha.

Chego, deito, as moças começam a colocar os eletrodos na minha cabeça, usando um material meio frio e grudento para fixá-los. O exame acontece, levanto da maca e a enfermeira que conduziu os trabalhos me pergunta se eu trouxe o pente e a toalhinha. Digo que não.

– Tudo bem. Vou te dar um papel e você segue até o banheiro ali à direita para limpar sua cabeça.

Ela abre a porta, me indica o caminho com mais clareza. Eu sigo por um corredor de uns seis ou sete metros com pessoas dos dois lados até, finalmente, chegar ao banheiro. Nesse trajeto, todo mundo me observa e eu fico alternando o pensamento entre dois pontos: “me olham porque sou lindo” e “me olham com dó da minha cara de sono“.

Entro no banheiro, acendo a luz e percebo que meu cabelo estava parecido com o do Ben Stiller em “Quem vai ficar com Mary”, com um topete bizarro amparado por uma gosma esquisita.

Dou uma risada, mando uma foto pra Carol (isso é amor verdadeiro), tento arrumar de qualquer forma só para vir pra casa. Sem tanto sucesso. Passei de novo sob o escrutínio alheio. Aposto que pensaram: “o cabelo ainda está esquisito, mas pior, porque está úmido“.

Na próxima eu levo um boné.

Dançar para se tornar

Na semana passada, assisti a dois espetáculos de dança para ver pessoas queridas nos palcos: Carol participou da apresentação de final de ano da escola de balé e a Fernanda, minha cunhada, fez a sua apresentação de flamenco.

Nunca havia visto a Carol bailarina nos palcos. Foi emocionante vê-la ocupando um espaço e um ambiente que lhe são tão familiares, afinal, o balé está na sua vida há mais de 30 anos. O bônus foi vê-la fazendo tudo isso e com uma barriga de 37 semanas de gestação.

Carol é a segunda da esquerda para direita.

Ver a Fernanda dançar é um presente para a audiência, com seu domínio dos passos e dos espaços no Flamenco. Aliás, este é um gênero que acho super interessante pela marcação, pelo sapateado e pelas palmas.

Fernanda é a primeira em pé da direita para a esquerda.

Meu olhar amador para a dança, além de impressionado com as coreografias, ficou vidrado nas expressões faciais e corporais das outras mulheres que estavam no palco. Minha cabeça ficou imaginando o que as motivou para estarem ali.

Entre sorrisos, movimentos expansivos, seriedade, movimentos mais tímidos das meninas e mulheres entre 13 e 70 anos, lembrava de um trecho da carta que o escritor Kurt Vonnegut mandou para alunos da Xavier High School em 2006 e que já foi citada no blog.

Pratique qualquer arte, música, canto, dança, atuação, desenho, pintura, escultura, poesia, ficção, ensaios, reportagens, não importa quão bem ou mal, não para obter dinheiro e fama, mas para experimentar se tornar, descobrir o que há dentro de você, fazer sua alma crescer.

Lembrei de quando eu entrei em uma escola de dança de salão pela primeira vez, há uns 20 anos. Cético e traumatizado com o ocorrido de anos antes, quando tentava dançar forró com uma colega de trabalho e após um minuto, ouvi em alto e bom som: “Cabeça, você não nasceu para dançar”. Carreguei isso para as primeiras aulas, sem sequer entender que a vulnerabilidade e a exposição são muito maiores na dança do que na música.

Na minha posição de baterista, embora eu tenha um papel fundamental na condução da música e da banda, eu toco um instrumento onde é fácil se esconder. Eu posso montar os pratos e os tambores mais altos, posso me curvar para ficar menos exposto, posso fazer o show inteiro sem interagir com a banda e com o público. De fato, é legal ver como os pratos foram ficando cada vez mais baixos ao longo da minha jornada.

Em abril de 2001, o último show do Álamo, minha primeira banda.

Tocando com meus amigos de escola em julho de 2023. Foto: Tamas Bodolay.

Sim, eu sei que a dança de salão tem muito pouco a ver com balé e flamenco. Mas quando dançamos, não há nenhuma barreira que te separe do público, tipo um instrumento musical. E embora seja um ato coletivo, encarar os medos é um exercício solitário. Ao mesmo tempo que via mulheres muito confortáveis no palco, outras estavam mais tímidas e tensas. Ainda assim, todas vencendo a exposição, executando uma coreografia, estendendo braços e pernas, batendo palmas, se deslocando pelo palco, marcando o tempo. E olhos bem abertos para não perderem nadinha.

De fora, imaginei as diversas histórias: quem dança há muito tempo, quem voltou a dançar depois de um longo tempo, quem começou a dançar há pouco, quem quis dançar para vencer a timidez ou porque só conseguiu tempo para fazer isso na idade adulta.

E tal qual quando estou vendo ou tocando em um show, não liguei para os errinhos, para os olhares inseguros ou os sorrisos tímidos. Fiquei feliz em ver um espaço seguro sendo ocupado por pessoas que, por diferentes razões, estão se tornando e fazendo as suas almas crescerem.

Que mais gente possa experimentar esses sentimentos.

Certificado de Amizade

No domingo à noite, andava de carro pela Savassi de vidros abertos e com o som desligado. Uma Carreta Furacão desce a rua Alagoas e para no sinal. Logo atrás, tento fazer uma foto da Carreta, quando um carro para ao meu lado.

Escuto o diálogo animado entre uma mulher e um homem. Começou com ela falando.



– Que legal!
– É divertido mesmo. Olha lá o boneco do lado de fora…
– Tá decidido! Vou fazer meu aniversário na Carreta!
– Sério? Muita gente não vai topar ir.
– Não interessa! Assim fica mais fácil saber quem é meu amigo de verdade.

Eu não consegui fazer a foto como eu queria, mas dei uma risada com o diálogo. Que forma legal para definir uma amizade de verdade!

Para ela, a amizade autêntica não pode ser mensurada somente no apoio em um momento difícil ou se aquela pessoa esteve ao seu lado em uma importante conquista. Ou encarou o “”logo ali” no padrão mineiro de distância e saiu do centro de BH com você (ou para você!) para pegar uma caixa em Esmeraldas e deixar em Nova Lima.

É preciso fazer tudo isso e também topar ir à sua festa de aniversário. Não em um bar ou em um salão. É na Carreta Furacão. Aí sim, ganha o selo “amizade de verdade”.

O sinal abriu, a Carreta e o casal continuaram na Alagoas, eu virei à direita na Cláudio Manoel. Segui pensando na situação e na resenha da hipotética festa de aniversário.

O fulano, esse aí é amigo mesmo. Foi na festa, dançou, abraçou o Fofão… pode confiar!

Para a d. Pilar

Pilar fez 70 anos na semana passada, comemoramos em uma festa linda no sábado, onde eu falei as palavras abaixo:

“Quando pedi pra falar hoje, eu pedi ajuda a um amigo da mamãe e da Natália, que não está aqui hoje, mas que elas verão em alguns dias, chamado Gilberto Gil.

Ele fala que ‘do luar não há mais nada a dizer, a não ser que a gente precisa ver o luar‘. 

Eu pensei, se trocar Luar por Pilar, será que ainda há o que dizer? E sim, há o que dizer e a gente precisa ver na Pilar.

E fiz um exercício de lembrar a mamãe. Quatro pequenas passagens da infância:

Aos seis anos, vi uma mamãe emotiva chorando tentando colocar um vestido na Tutu, que muito segura de si desde sempre dizia que não queria usar aquele vestido. Hoje, o Samuel estava 100% Tia Tutu dizendo ‘não vou colocar essa roupa‘ enquanto a gente tentava vir pra festa.

Na mesma época, lembrei da mamãe sempre engajada politicamente. No meio da noite, levantei e fui para o quarto dos meus pais e perguntei pra ela se eu podia dormir com eles. ‘Só quando o governador sair‘, foi a resposta.

Aos oito, a mamãe cuidadosa que desceu em desabalada carreira para salvar eu, Tiago e Lucas, meus primos, na grade do Mineirão quando um enxame de abelhas resolveu piorar a tarde em um Cruzeiro e Corinthians que tomamos um gol do Neto.

Aos dez, inconformado por não poder ir ao cinema com ela para assistir 1492, disse ao vovô Pancho uma heresia: ela era minha ex-mãe.

E são muitos mais casos ao longo da vida, mas não quero tomar o tempo da festa.

A Dona Pilar é a pessoa que sempre me ensinou a não enxergar o óbvio e a questionar as coisas. Eu acho que esse é um presentão: poder ter crescido na casa de Teteca e das cinco Marias, onde a discussão, as perguntas e as conversas sempre tiveram um lugar muito nobre. E mais do que isso, poder entender que é possível ser contra todas as autoridades, exceto as mamães.

É alguém que pode te contar sobre as séries de streaming e sobre os resultados do vôlei com profundidade. A leitora ávida, a apaixonada por música que estava comigo no meu primeiro show: Caetano Veloso na turnê do Circuladô de Fulô no Palácio das Artes, que adora o disco “Stars” do Simply Red e Jive Bunny and the Master Mixers, o ‘disco do coelhinho’.

Tem a melhor adaptação da piada do diálogo entre a pá e o boné. Que explora os 26 estados da federação mais o Distrito Federal, além de Nova York, Austin, Buenos Aires, Luanda, Moscou e Roma como ninguém. E aliás, poderia fazer um site só com reviews de hotéis e restaurantes nessas andanças. 

É alguém que incorpora a famosa frase da vovó Teteca: ‘tem pão, tem leite, tem tudo aí‘ como ninguém. Para ela, o encontro com as pessoas é mais importante do que a pompa e a circunstância.

Das tardes das unhas encravadas no Dr. Scholl aos primeiros dias tensos de vida do Samuel, mamãe estava ao meu lado e foi quem trouxe paz e consciência para esse que vos fala hoje. Ela conseguiu acalmar até duas pessoas que estão aqui, mostrando que seu coração tem espaço para DUAS melhores amigas: Eugenia e Cleuza.

Pra fechar, eu queria falar da coragem e do propósito da mamãe, com sua carreira e missão firmes na construção de uma educação pública de qualidade, na redução das desigualdades, e agora, pelo direito das crianças e dos adolescentes nesse Brasilzão. Muitas vezes, lidando com pessoas que a gente não concorda, com gritaria e discussões, e carros de som na porta de casa às 7h da manhã. 

E, no caminho, ensinando que a vida é maior do que isso. Do mesmo jeito que eu tenho certeza que Ravi, Aurora, Samuel e a Maria Tereza, que está aqui nos se preparando para conhecer esse mundão, terão muito orgulho da vovó Pilar, do mesmo jeito que ela nos orgulha como mãe, irmã, amiga, prima, cunhada, sogra, chefe e conselheira.

Obrigado, mamãe, por tudo até aqui e mostrar que os sonhos não envelhecem.

Feliz aniversário!”

(Registro lindo feito pelo Jose Márcio Cruz)

Não sei

Outro dia, lia “Meu Primeiro Dicionário” com Samuel. No verbete “Automóvel” apontei para um carro de polícia e perguntei o que era.


— Carro de polícia!

Depois, apontei para uma ambulância e fiz a mesma pergunta.

— Ambulância!

Finalmente, foi a vez do guincho. Ele pensou e disse:

— Não sei!

Ouvir isso me encheu de alegria. Sei que parece papo de pai babão (e talvez seja!), mas ouvir essas duas palavrinhas me fez pensar na curiosidade e nas descobertas. Por outro lado, também me fez pensar que eu deveria ter falado mais “não sei”, especialmente na adolescência e no começo da vida adulta. O medo da rejeição e de ficar fora de algum grupo me “obrigava” a falar “claro que conheço”, sem saber nada daquele tema.

Quando ele fala “não sei”, seja de forma confiante ou tímida, minha reação é reforçar que não saber é normal. E é um convite para o aprendizado e a exploração.

Como disse meu querido amigo Walter Romano em sua última coluna (e que inspirou esse texto), “Saber dizer ‘eu não sei’ não nos torna menos inteligentes. Nos torna mais verdadeiros e vulneráveis para nos conectarmos uns com os outros”.

Que o Samuel cresça tendo isso em mente. E quisera eu ter  assimilado isso bem mais cedo na vida.

O dia das crianças

O dia das crianças me faz reforçar a observação do construtor de dois anos que mora lá em casa.

“As crianças aprendem brincando”, disse o compositor Brian Eno em uma entrevista para o Ezra Klein (e que será esmiuçada em breve). “Elas estão aprendendo sobre materiais, relações pessoais, sobre suas mentes e seus corpos. Coisas que são importantes de se entender”.

Olho para o Samuel brincando, curioso e mantendo seu olhar fresco.

Para ele, as coisas não precisam ter escalas. Os brinquedos de montar servem para qualquer finalidade: viram uma garagem, uma casa, um volante de carro. Três peças viram uma caminhonete e não é preciso que rodas existam para isso. O puff da sala vira a mesa de ping-pong e ele, muito educadamente, cumprimenta e deseja um bom jogo antes das partidas.

Falando sobre volantes, duas almofadas no sofá viram um carro. Quando estou deitado e com os joelhos dobrados viro um caminhão de lixo, um caminhão reboque ou uma ambulância. Ele abre a porta (meus braços), coloca o cinto, liga o carro e começa a dirigir.

Os livros são páginas de exploração e a rua vira uma extensão dos livros. Cada pedacinho novo compõe a descoberta de um mundo que está em constante expansão na sua cabecinha.

Observar isso serve de reforço para mantermos esse espírito curioso. Sonho com a ideia de como seria incrível se todas as crianças tivessem essas oportunidades de descobrir, aprender e construir futuros.

Que os sonhos permaneçam vivos.

Feliz dia das crianças.

A hora do banho

Nas rotinas diárias do Samuel, o banho da noite fica comigo. É um ritual divertido. Vamos para o banheiro, ele fica em pé na bancada da pia, seguro ele para escovar seus dentes enquanto ele usa meu braço para tocar um violão imaginário.

Depois, o banho acontece ora na banheirinha, ora no chuveiro. Eu, ele e algum(ns) brinquedo(s) como companhia: um boneco de lego, uma caminhonete, um livro, cada dia um artefato diferente. Batemos papo, damos risadas e até fazemos reflexões.

Foi o que aconteceu outro dia. Durante o banho, brincávamos com a companhia do dia, uma bolinha de basquete. Entre as brincadeiras e o ofício de ensaboar seu corpinho, eu comecei a divagar.

Fui longe enquanto limpava suas costas: pensei em trabalho, em arte, em dilemas, soluções, angústias e ideias. Se existisse o prêmio de costas mais limpas de uma criança de dois anos, ele seria do Samuel. Depois de uns dois minutos, eu aterrissei e falei: “Filho, desculpa. Fiquei em silêncio enquanto estava pensando em coisas”.

Ele olha pra mim e faz a primeira pergunta fundamental: “Aonde?

Eu dou uma risada. fico meio desarmado e respondo: “Onde eu estava pensando? Aqui, dentro da minha cabeça”.

Cadê?

Aqui, meu amor”, apontando pra minha cabeça, enquanto brinco com a cabeça dele e sigo no limpeza com um sorriso. “Isso aqui é a nossa cabeça”.

Ah. Vamos jogar bola, papai?

Essa criança é demais! <3