Com razão, algumas pessoas têm reclamado que minha “eussessoria” de imprensa não tem trabalhado como deveria, privando-as de atualizações. Não posso deixar de concordar. Mas trago um bom motivo.
A falta de notícias tem relação com os momentos de espera. A notícia relevante, aquela que demanda um release, demorou a vir por conta disso. Qualquer atualização nesse meio tempo seria absolutamente mundana. Afinal, todos e todas concordamos que “Acordei, tomei café e trabalhei”, “Estou chateado com o Cruzeiro” ou “Felipe dá sua opinião sobre o casal Hamilton e Kardashian” não são atualizações relevantes.
(Spoiler: Daqui para baixo, as notícias são boas).
Ainda no final de junho, tudo já estava super encaminhado para começar a radioterapia e a quimioterapia. Papeladas aprovadas, exames feitos, máscara moldada. Porém, decidimos ir atrás de uma outra opinião em Belo Horizonte. Este médico indicou um oncologista em São Paulo.
Fiz a teleconsulta em uma terça e ele, de posse das minhas ressonâncias, pediu que eu enviasse as lâminas com meu material tumoral para uma biópsia e outros exames mais completos. O objetivo era entender todo o perfil do meu tumor para saber se eu era apto a começar a tomar um medicamento que segue em uma direção diferente da que estava atualmente indicada.
“Tudo fica pronto entre três e seis semanas”, ele disse ao final da consulta.
Então, imaginem o que foi ficar esse tempo todo torcendo para não ser uma bomba-relógio, que é um dos pensamentos mais recorrentes nesta ampla cabecinha, além de ficar conjecturando o que estaria acontecendo comigo à medida que eu estava adiando o tratamento.
Passou julho, veio agosto. Com ele, meu aniversário e os resultados dos exames. E no dia do meu aniversário, a indicação de que eu talvez estivesse apto a tomar o medicamento. Eu ouvi quase como uma autorização médica para poder continuar celebrando aniversários.
“Queremos só uma ressonância e um exame de sangue para confirmar”.
A chama da esperança estava acesa, mas eu segurei a onda para não ficar muito empolgado. A boa notícia foi confirmada na sexta-feira, dia 21:
Estou apto a tomar o vorasidenibe (ou Voranigo como nome comercial).
Em linhas gerais, ele é um medicamento desenhado especialmente para o meu tipo de tumor e que atua como um inibidor do crescimento do onco metabólito. É um comprimido de uso contínuo e que exigirá um controle mais atento e mais frequente com exames de imagem e exames de sangue nos próximos anos.
Anos. Anos. Não semanas ou meses. Anos.
É uma notícia incrível. Que me ajuda a fazer planos e manter essa pulsão pela vida.
Agora, vem os próximos passos. Recebi hoje o relatório médico, vou entrar com o pedido no plano de saúde para o fornecimento do remédio, porque seu custo é alto. Se o pedido for negado, terei que judicializar o processo todo.
Mas amanhã eu penso nisso. Hoje, estou feliz com a notícia e ansioso para começar o medicamento.
Também continuar seguindo a vida, fazendo planos. Como disse, ainda há muita arte para ser feita, muitas belezas para aprender, compartilhar e trocar. É Importante também continuar fazendo exercício, tomando água e fazendo terapia, porque a saúde mental e a saúde do corpo vão além, simplesmente, do que mora na minha cabeça.
Seguimos juntos para os próximos capítulos.