(Nota não relacionada ao texto: é um desafio conviver com um “hiato de tratamento” enquanto aguardo a segunda opinião das minhas lâminas. Tenho ocupado a cabeça com trabalho, a iminente mudança de apartamento, sofrer com o Brasil na Copa e tentar explicar – em vão – para o Samuel que ele pode dormir 14 horas por dia. Ao mesmo tempo, ajuda a tirar da cabeça a ideia de que sou uma bomba-relógio.)
Este é um texto de apreciação. Montei a imagem de ilustração para post com algumas mensagens que recebi nos últimos dias. Todas inesperadas, algumas ainda não respondidas. Eu acho que é preciso uma coragem para mandar uma mensagem, porque não sabemos necessariamente o que vem como resposta. Ou, pior, se vem uma resposta.
Escrevi esse parágrafo e imediatamente me lembrei de quando o querido Miguel Thompson me contou, em agosto de 2020, que estava com um tumor no cérebro. Reforcei meu apoio e, como resposta recebi “Ter amigos como você ajuda muito!”. Trocamos algumas mensagens até o final de março de 2021, quando tive meu primeiro diagnóstico. Escrevi pra ele. A mensagem foi vista e não respondida. Em maio, dias depois da minha cirurgia, escrevi novamente, mas a mensagem não foi lida. Miguel faleceu em 7 de junho daquele ano.
O fato é que receber estas mensagens reforça a ideia de que não estou sozinho na jornada (nunca estive, na real). Ao mesmo tempo, cria uma cobrança (imaginária) de que deveria estar mais presente, de que não estou vendo as pessoas, o tempo está passando, “poxa, tem seis meses que combinei o café com fulano que nunca aconteceu”, sair pra almoçar, etc, como se a vida estivesse simples o suficiente.
Mas sinto que poder compartilhar um pensamento, ainda que dezenas de vezes, ajuda a dissipar um pouco a tensão e a lembrar que existe vida, planos e muita coisa para ser construída. E, até em um aspecto mais filosófico, me dá uma certa esperança nas pessoas, porque reforça a importância da comunidade. Quase uma antítese do discurso vigente de individualismo que tanto tenho visto ultimamente, “eu consigo tudo sozinho e dane-se o resto”. Não é assim que as coisas precisam funcionar.
Não sei como seria se minha irmã e minha tia não ficassem em cima do hospital, em contato com os outros médicos. Se Carol não tivesse nos movimentos de olhar apartamento, de olhar escola e dar suporte e se não tivéssemos uma rede de apoio para cuidar das crianças. A vida estaria exponencialmente mais complicada e solitária.
Ainda bem que eu tenho amigos. Ainda bem que tenho suporte. Me lembrei de “Love’s in Need of Love Today” do Stevie Wonder. O próprio amor tem precisado de amor. E ainda bem que estou rodeado por tanta gente querida.
E acho que deveria comemorar meu aniversário.
Natália Menhem
Estamos juntos e misturados. Vamos comemorar esse aniversário e tantos e tantos mais.
GIOVANNA A
Ainda que estejamos fisicamente longe, estou contigo em pensamentos, vibrações e boas energias! ✨️
Cleuza Repulho
Vc é um querido, por isso tem tanto amor em volta!! Quem tem amigos tem tudinho, acredite bju te amo