11 de setembro de 2019 Felipe

From Russia with love – Parte 1 – Medo

A placa do Aeroporto Sheremetievo na estação de trem do aeroporto.

Prólogo

Em agosto, tive a chance de participar da WorldSkills Kazan 2019. Foi a minha terceira experiência na WorldSkills Competition, a maior competição de educação profissional do mundo. Primeiro, fui parte do Comitê Organizador na edição de São Paulo, em 2015, e parte do Secretariado Estendido na WorldSkills Abu Dhabi 2017, trabalhando no time de comunicação e marketing. Fiz parte desse mesmo time em Kazan.

Essa foi a 45ª edição da competição, a primeira na Rússia, e a maior até agora. Mais de 1.300 competidores de 63 países e regiões membros da WorldSkills, competindo em 56 modalidades.

Permitam-me explicar esse termo pouco familiar, o tal “Secretariado Estendido”. A competição é organizada pela WorldSkills International, uma entidade sem fins lucrativos, em parceria com o representante no país que irá sediar o evento. No Brasil, por exemplo, foi o SENAI. Apenas para termos de comparação, a WorldSkills seria a FIFA na Copa do Mundo ou o COI nos Jogos Olímpicos. Entre as competições, a organização tem cerca de 20 pessoas em seu quadro fixo, chamado de secretariado. Durante o evento, esse número sobe para mais de 150, quando pessoas são selecionadas para estender esse quadro – daí o nome – e trabalhar para a competição em diferentes frentes: Pode ser no apoio à competição, aos membros da WorldSkills, na área de comunicação e marketing ou na parte de patrocínios e programa de conferência.

São pessoas do mundo todo e com experiências diferentes. É uma divertida mistura de histórias, sotaques e habilidades, uma das coisas mais valiosas dessa oportunidade. Vou falar um pouco mais sobre o trabalho e o dia a dia na terceira parte desse post.

Antes, queria começar as memórias da Rússia com uma reflexão sobre medo e desafio. 🙂

 

Parte 1 – O medo

Quando a Jane Scott entrou em contato comigo para falar de passagens aéreas, uma das perguntas foi quantos dias eu queria ficar na Rússia antes ou depois da competição. Depois seria inviável, porque teria o casamento do Leléo e da Nika, meus primos, em Lisboa. Mas poderia chegar alguns dias antes e conhecer Moscou e São Petesburgo por minha conta. Só que eu titubeei demais para responder essa pergunta. Com medo, disse que queria ficar só dois dias.

(Nota paralela: o cargo oficial da Jane é assistente financeira e de operações. Pra mim, ela é a fada onipresente resolvedora de todos os problemas. Nada, absolutamente nada, fica sem solução pra ela. É incrível!)

Voltando. Pra fora, estava com medo de Moscou e da Rússia, “do idioma e das coisas que a gente vê sobre lá”. Eu que tanto falo sobre pensamento crítico, estava replicando uma bobagem dessas. Na verdade, eu estava com medo de mim mesmo e do “novo”. De vez em quando, deixo os pensamentos que me atormentavam há muito tempo darem as caras: o medo das mudanças e do novo. Não estava preocupado com Kazan e a competição, mas sim com a grande surpresa que seria Moscou. Imaginava que não conseguiria resolver as coisas triviais: a imigração, sair do aeroporto e chegar até o centro, andar de metrô, chegar no hostel. Era muita coisa para sobreviver em dois dias. Será que eu daria conta?

A praça vermelha e a Catedral de São Bas

E é engraçado quando a gente simplesmente passa por essas coisas sem perceber. Quando vi, estava no hostel e já me preparando para encontrar com a Lisa Frizzell, amiga da WorldSkills. No caminho, precisei do primeiro momento “uau!” da viagem – o encontro casual com a Praça Vermelha, a muralha do Kremlin e a Catedral de São Basílio – pra ter a certeza que o medo tinha sido um sentimento bobo.

Eu poderia ter pedido para chegar antes e ter sido mais corajoso. Agora era tarde, tinha só dois dias na cidade e decidi usar essa coragem pra aproveitar Moscou da melhor forma possível. Deu certo.

Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.