11 de junho de 2018 Felipe

Porque dei um tempo do Instagram

Não era segredo pra ninguém que o instagram era a minha rede social preferida. Escrevi sobre a rede algumas vezes aqui no blog, falamos outras tantas no Ainda Sem Nome. Toda edição da newsletter da 42formas terminava com alguma sugestão de conta para seguir na rede social.

Era. Hoje completo pouco mais de uma semana que eu suspendi a minha conta na rede social. Em linhas gerais, há um bom tempo, o Instagram vinha me fazendo mais mal do que bem e superficialmente já seria uma boa razão para dar um tempo. Mas dá para “cavar” um pouco mais. Tem a ver comigo e tem a ver com a rede social em si.

Sobre esse que vos escreve, uma das dores e das delícias da análise é buscar entender quem sou. Estou longe da resposta, naturalmente, e nesse meio tempo me sinto como um cavalo sendo guiado por uma cenourinha que não tem rumo. E essa falta de rumo é guiada pela ansiedade e pela aprovação social. Tenho me sentido cada vez mais o cidadão médio, sem opinião ou conhecimento aprofundado. E fico me cobrando em saber sobre tudo, ser uma pessoa interessante, achar que preciso ter opinião sobre tudo. É assim desde que me entendo por gente e é algo completamente irracional.

Seja nos assuntos do trabalho ou do meu interesse, é óbvio que não vou saber sobre tudo, é óbvio que existem pessoas que sabem mais do que eu. Estou atrás desse objetivo impossível e que acaba me travando. Quando a ansiedade chegava em níveis extremos, a solução era afogar as mágoas em um aplicativo de fotos com rolagem infinita, a oitava maravilha do mundo para a procrastinação e um dos apocalipses para a auto-estima.

Já faz algum tempo que o Instagram deixou de ser uma rede social de fotos para ser uma rede de estilo de vida. O espaço perfeito para “você comparar o seu todo com uma fração dos outros”, como disse o
Cory Richards em sua keynote no SXSW de 2017. Eu ficava horas lá, me comparando, perdido nas sugestões que o algoritmo me dava na aba “Explorar”: fotografia, crossfit, bateria e churrasco. Fotos que eu não vou fazer, performances que eu não vou ter, grooves impossíveis de tocar e eu ainda não tenho uma churrasqueira. Torrando a bateria do telefone, procrastinando as tarefas do dia e deixando de postar as fotos que eu gostava e sim aquelas que eu achava que os outros iriam gostar.

Não sei qual foi o papel do instagram na proliferação dos “influenciadores digitais”. Mas agora todo mundo quer ser, todo mundo quer direcionar seu feed pra ganhar likes, motivar pessoas e ganhar uma grana com isso. Justo, mas não vai ser pra todo mundo.

O fim da picada foi um desses perfis de viagem que eu comecei a seguir por causa de uma promoção. As fotos são bonitas, o cara dá um workshop sobre como deixar o seu feed bonito (para ser um influenciador digital), tudo lindo. Esse perfil publicou um post com “9 dicas para fazer boas fotos de viagem”. Achei legal, imaginei que seria um bom post pra minha mãe, por exemplo, que viaja bastante. Só duas das nove dicas eram úteis: “siga a regra dos terços” (básica da fotografia) e “veja os locais mais famosos do seu destino para não fazer fotos iguais”. O resto eram dicas do tipo “combine as roupas com as locações”. Ou seja, não eram dicas para você fazer boas fotos e se lembrar da sua viagem. Eram dicas para você fazer fotos para bombar no Instagram. Eu não quero jogar esse jogo, então me afastei. Lembrei bastante da edição #132 do Ainda Sem Nome, onde eu e o Caio falamos sobre o mal que as redes sociais causam nas pessoas. Achei que eu nunca seria “vítima” disso, mas cá estou eu. 🙂

Nessa semana sem instagram fui muito mais produtivo, focado e fiz a bateria do telefone durar muito mais. Pode ser que tenha a ver com o quadro de kanban que fiz aqui no escritório e que também foi assunto da edição 132 do podcast, mas foi a vida sem instagram mesmo.

Não estou dizendo que você deva fazer o mesmo ou que vou ficar fora pra sempre. Provavelmente não, mas primeiro preciso ressignificar uma série de coisas na minha vida. Depois eu volto.

Finalmente, se você lê em inglês, recomendo esse post do Eric Kim sobre o assunto.

Atualização 1 (04/09/2018): Voltei. Vamos ver o quanto tempo dura.

Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

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