12 de setembro de 2018 Felipe

A comparação é a ladra da alegria e outras coisas sobre redes sociais

A comparação é a ladra da alegria.

(Lembrei que preciso terminar meu post sobre a crise da meia idade, mas vai ficar pra depois)

Já era tarde da noite ontem quando o Bruno Milagres me marcou nesse vídeo do Casey Neistat comentando a “polêmica” participação do Elon Musk no podcast do Joe Rogan. Polêmica porque no final da entrevista, Rogan e Musk acendem um baseado e, nossa, que absurdo dois homens adultos fumarem maconha na Califórnia, um estado onde isso é legal. Enfim, o ponto do vídeo não é esse.

O ponto do vídeo é o momento onde os dois falam sobre as redes sociais e como o Instagram nos faz mais tristes. Não poderia concordar mais. Afinal, eu mesmo fiquei dois meses fora do instagram, expliquei as razões aqui. Voltei depois de muita análise e uma conversa com o próprio Bruno sobre “fotos de gente feito eu e você”. Aliás, ele resumiu esse post inteiro em uma frase: “Pensa bem, se o Elon não tem autoestima suficiente pra lidar bem com isso no Instagram, imagina eu”.

No vídeo, o Casey destaca duas frases levantadas por Rogan e Musk: “A comparação é a ladra da alegria” e “Felicidade é igual Realidade menos Expectativa”. Eu não consegui ser conciso feito o Bruno e, por isso, quero falar um pouco sobre esses trechos.

A comparação é a ladra da alegria

A comparação é a ladra da alegria

A comparação é a ladra da alegria.

No meu texto, eu havia falado sobre essa primeira frase. Você compara o seu todo com a fração dos outros. No Instagram, parte das pessoas mostra uma fração qualquer do seu dia: pode ser a foto do cachorro, uma ida à praia, uma conquista no trabalho, uma foto de viagem. Parte vai querer mostrar a sua melhor fração e mostrar que a vida é muito mais legal do que realmente é. Cabe a cada um de nós fazer o filtro.

E eu não tenho uma resposta clara pra isso ainda. Como também disse o Bruno, não ficar se comparando é a parte fundamental do processo, mas é quase anti-natural. Assim, nesse tempo fora, eu consegui ajustar a minha base de comparação. E, enfim, esse ajuste talvez tenha muito mais a ver com a análise do que necessariamente com a rede social em si. Não cabe me comparar com fotógrafos profissionais, com viajantes profissionais ou pessoas que levam o crossfit muito mais a sério do que eu, por exemplo. Jogar a barra lá em cima rouba a minha alegria de estar na plataforma e, pior, roubava um pouco também na vida real.

Felicidade é igual Realidade menos Expectativa

Felicidade é igual realidade menos expectativa

Felicidade é igual Realidade menos Expectativa

Essa frase é mais complexa. Estamos falando de qual realidade, da nossa ou da que vemos no feed? Sendo a nossa – porque é difícil identificar a realidade alheia – seria mais fácil colocar as nossas expectativas lá embaixo, de modo que a gente sempre esteja satisfeito. Porém, como diz o Calvin, “de vez em quando não esperamos nada e ainda assim é muita coisa”.

Falando sério, não devemos criar as expectativas do instagram em cima da nossa realidade. Especialmente com as métricas de aceitação, tipo achar que uma foto vai viralizar, trazer milhares de likes e seguidores e você vai mudar sua vida do dia pra noite. Ou pior, que aquela pequena fração de sucesso e realidade resolva os seus problemas do dia a dia.

Isso não vai acontecer.

Aí entra também um mea-culpa do Casey sobre o papel dos influenciadores tanto na comparação quanto na equação da felicidade. Algo do tipo: “foi mal, a gente transforma o nosso cotidiano em um negócio muito mais legal do que de fato é e você sofre com isso. Não era a intenção”. É a intenção, claro. Como falei no outro post, a partir do momento que um “influenciador digital” ou “criador de conteúdo” publica suas fotos e te ensina a fazer uma linguagem parecida, ele quer que você mude a sua base de comparação e suas expectativas em relação à realidade. E na maioria das vezes, você sabe que isso não vai dar certo. Mas continua insistindo.

Finalmente, há também o efeito da caixa de comentários como massagem no ego. Os comentários acabam sendo uma régua bastante cruel. Primeiro, um comentário “vale” mais do que uma curtida e serve para validar aquele estilo de vida. “Aaaa vcs ahazam demais! Mdd”, “Num guento essa família linda”, “Relationship goals”. Esses são exemplos de comentários em um post de um influenciador digital viajando com a namorada. 90% das pessoas que comentam não devem conhecer o casal. Elas só projetam a sua expectativa e realidade naquela foto.

Por isso, o grande lance é saber que o Instagram pode ser um excelente escape, desde que você não leve muito daquilo ali a sério. Valorize as coisas que você aprende, as histórias incríveis que são compartilhadas, a pequena vitória daquela pessoa que você gosta. Porém, não meça a sua vida e a sua realidade com 99,5% do conteúdo produzido por influenciadores, a turma fitness e perfis de viajantes. E mais importante, se você gosta do seu conteúdo e sente-se feliz em compartilhar, vai fundo! É a melhor maneira de achar o equilíbrio na equação e na comparação. 🙂

 

Vídeo inteiro do Casey:

 

Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.