9 de julho de 2015 Felipe

Tem talento, mas tem muito trabalho também

Foto que fiz durante a Olimpíada do Conhecimento Nacional em 2014.

Na sexta-feira passada, o Jornal Nacional fez uma matéria sobre a Olimpíada do Conhecimento carioca. Essa é a Competição regional que definiu os representantes do Rio de Janeiro na Olimpíada do Conhecimento nacional, que ocorre em 2016. Dali sai o time brasileiro para a WorldSkills Abu Dhabi 2017.

A matéria é legal porque ajuda a conceituar o que é competição de educação profissional. Apesar de não citar de nenhuma forma a nossa gloriosa WorldSkills São Paulo 2015, abriu uma brecha para colocarmos esse assunto na pauta. Mas o que me incomodou de fato foi o termo martelado de maneira ampla: Talento. William Bonner apresenta a matéria dizendo que o repórter acompanhou um “concurso de talentos que durou três dias”.

Eu concordo completamente com a definição de talento: “(…) a inclinação natural de uma pessoa a realizar determinada atividade. O talento facilita o sucesso nesta atividade.” Mas nem de longe é a melhor palavra para definir uma competição de educação profissional.

Neste conceito, a educação profissional continuará sendo segregada. Como falei aqui, um dos desafios que temos na organização da WorldSkills São Paulo 2015 é justamente popularizar e “desmistificar” o ensino técnico. E quando eu digo que é um “concurso de talentos” eu continuo dizendo que é para poucos, sendo indispensável uma aptidão natural para aquelas ocupações. E não é necessariamente desta forma. O jovem não pode ficar em dúvida e pensar que não tem a habilidade manual ou a inteligência necessárias para ser um confeiteiro, um soldador ou um desenhista cadista. Alguns podem ter, outros irão descobrir quando colocarem a mão na massa. Com aprendizado, treinamento e (muita) repetição, irão se tornar os representantes de suas escolas na Competição estadual.

Claro, o jornal escolheu o recorte mais popular. A competição de tornearia, por exemplo, poderia ser distante demais do cotidiano das pessoas (além de ser uma competição mais… nerd). Mas a abordagem precisa ser diferente. É preciso reforçar que os Competidores foram escolhidos dentro das escolas por serem os melhores de suas turmas. Não só por causa do talento, mas também por esforço e muito estudo.

E aí, não poderia concordar mais com fechamento da matéria. No final das contas, a medalha é só um detalhe. O grande prêmio é estar preparado para o mercado de trabalho e ajudar no reconhecimento da educação profissional como uma sólida opção de carreira no Brasil.

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Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

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