A semana retrasada foi uma prática para a admiração e para a conexão. Em circunstâncias especiais, pude viajar com dois tios e quatro primos por Londres, na Inglaterra, e por Edimburgo, Dundee e Aberdeen, na Escócia.
Um encontro que normalmente não seria fácil de acontecer, considerando os momentos de vida, projetos, famílias e a localização geográfica de cada um de nós. No Brasil, são dois morando em Belo Horizonte, um em Rio Acima, outro em Vitória, mais um em Brasília. No além-mar, Londres e Haia, na Holanda.
Não dá para discordar quando dizem que a família da mamãe viaja mais do que “mala de rodinha”. Estamos sempre espalhados, sem medo de mudar de cidade, estado ou país. E, apesar da distância, construímos e mantemos um vínculo nutrido por respeito, carinho e admiração.
Digo mais: é fácil escrever e falar sobre João, Paulo, Gabriel, Lucas, Ricardo e Leléo. Sobre a importância de cada um em diferentes momentos da minha vida, sobre as coisas que aprendo e descubro com cada um deles.
(Nota mental: este talvez seja um bom exercício de escrita afetiva. Vou colocar para frente.)
Começamos flanando por Londres: eu, João, Paulo, Bizafra e Gabriel. Foi minha quarta vez na cidade. A primeira aconteceu há 20 anos, em uma viagem amplamente registrada no blog. Tanto tempo depois, esta viagem ainda carrega um forte significado: o de que eu deveria perder o medo do mundo.

O começo de tudo.
- Na Tate Modern, o Felipe de 2006 saúda… (imagem aprimorada via IA do Adobe Lightroom)
- … o Felipe de 2026.
E mantenho a cabeça aberta a cada visita. Foi ótimo rever lugares conhecidos e ainda mais legal conhecer lugares novos. Poder rever a Carol, esposa do Lucas, e as crianças, que agora são dois jovens curiosos e atentos com o mundo.
Durante as caminhadas, um olhar atento para os parques, praças e cafés, para as pessoas andando a pé ou usando a bicicleta como meio de transporte. Ver a cidade dos outros sendo realmente utilizada e aproveitada me faz pensar como seriam as nossas cidades se existisse vontade política para isso.
Leléo e Lucas se juntaram à exploração escocesa, que foi bem interessante. Foram duas noites em Edimburgo, uma em Dundee e duas em Aberdeen.
São cidades bem parecidas e completamente diferentes. Edimburgo e Aberdeen são mais clássicas, cinzentas e com arquitetura de pedra. Dundee me pareceu mais moderna, ampla e colorida.
- Edimburgo
- Edimburgo
- Dundee
- Dundee
- Aberdeen
- Aberdeen
- Aberdeen
- Aberdeen
Na sexta-feira, fizemos uma excursão pelas redondezas de Aberdeen, com visitas a algumas destilarias, uma fábrica de barris, passando por ovelhas e vaquinhas cabeludas. De vez em quando, achava que estava passeando pelo clássico fundo de tela do Windows XP: campos verdes, céu azul e ovelhinhas escocesas aproveitando o dia.
Enquanto meus companheiros de viagem aprofundavam seus conhecimentos sobre whiskies, eu era uma boa companhia. No final do dia, aproveitava a ampla oferta de cervejas zero dos pubs e, juntos, explorávamos toda a “ampla” variedade da cozinha local.
Fizemos piadas de quinta série. Muitas delas.
E também conversamos sobre a vida e tudo o que orbita ao seu redor: medos, felicidades, anseios, relações familiares, trabalho, música, arte…
Num aspecto pessoal, a viagem serviu para criar novas rimas, tentar afastar velhas sinas e enfrentar o que anda me assustando: como 2026 tem sido extremamente difícil e a minha incrível capacidade de transformar pequenos pensamentos em grandes ansiedades.


Ansiedades estas que quase inviabilizaram a minha presença na viagem e na excursão de Aberdeen.
Não vou me alongar nisso em um texto que é uma celebração.
Andei um bocado com um olhar atento. Observei muitos carrinhos de bebê pelas cidades e fiquei pensando que quero logo fazer essas outras viagens junto com Carol, Samuel e Tetê. Especialmente pelo olhar das crianças: o que vai chamar a atenção a cada passeio, quais perguntas vão surgir e como será legal poder atiçar essa curiosidade.
Observei a dinâmica dos transportes, das ruas e dos restaurantes. E olhei para os lados para agradecer a oportunidade de estar ali, junto de pessoas incríveis. Para lembrar da rede de apoio que também permitiu essa viagem.
Uma meta de vida é poder proporcionar esses momentos para quem eu amo.
Também da observação nascem histórias que podem virar contos: meu trabalho de intérprete na imigração britânica; como lidar com a juventude no ho(s)tel de Edimburgo; a mala laranja alheia pega por engano na saída do trem em Dundee; as emoções ao andar de carro na mão invertida; e, para fechar, o recepcionista misantropo do último hotel em Londres.
A gente viaja para olhar para fora e entender o mundo e as pessoas. Também olhamos para dentro para entender os próprios sentimentos, fazer planos, nos conhecer melhor e nos expressar melhor.
Sigamos assim!

(Tema do próximo post: emoção mesmo foi o que aconteceu no dia seguinte dentro do Aeroporto de Guarulhos.)














APARECIDA LA E SILVA
Felipe, você tem um olhar muito particular sobre o mundo por onde passa, para dentro e para fora. Tenho muita vontade de fazer, e faremos, uma viagem junto com você! Te amo, sobrinho!
APARECIDA LA E SILVA
Felipe, amo ler você! Te amo. Vamos combinar uma viagem juntos?
Gabriel Albuquerque
A gente viaja para olhar para fora e entender o mundo e as pessoas. Também olhamos para dentro para entender os próprios sentimentos, fazer planos, nos conhecer melhor e nos expressar melhor.
Sigamos assim!
É isso!! Muito bom Felipe!