Ser pai é ser eternamente amador

10 de agosto de 2026
Posted in Samuel, Tetê
10 de agosto de 2026 Felipe

Ser pai é ser eternamente amador

“No momento que eu segurei meu filho mais velho, eu percebi o quanto eu não sabia. Ser um pai é ser um amador eterno. No sentido original da palavra no francês, ‘amateur’ é ‘aquele que ama’, tudo o que você pode fazer é aparecer e amar a criança. No momento que você acha que entendeu tudo, a criança muda, e de repente, você precisa descobrir as coisas de novo”.

Esse é um pequeno trecho do “Don’t Call it Art“, novo livro do Austin Kleon. Eu assino embaixo.

Desde o nascimento do Samuel, há quase três anos, eu vou descobrindo as coisas e o meu papel como pai. Há quase sete meses, com a vinda da Maria Tereza, vou descobrindo em dobro. É difícil descrever em palavras a emoção dessas descobertas nas crianças e em nós mesmos.

Porque é isso. Nesses quase três anos, não houve um dia igual ao outro. Eu tenho a impressão de que Samuel está um passo à frente na questão da sagacidade. De repente, as técnicas de negociação não funcionam mais e eu preciso descobrir outras. Um pequeno caso para ilustrar:

Samuel brincava com uma trena, e estava compenetrado fazendo medidas da sala.

Cortei a onda, porque trenas são perigosas para crianças. “Samuel, me dá a trena, por favor. Você pode cortar seus dedos. Depois o papai compra uma trena eletrônica para você“.

Um segundo depois, ele responde: “Papai, já é depois“.

Lido com isso todos os dias. Aos sete meses, Tetê já está tossindo de brincadeira, o que me faz pensar que logo estarei outro passo atrás. E que bom será desenvolver novas habilidades para novos desafios.

De certa forma, acompanhar o crescimento das crianças é viver o presente. A situação do dia, da semana, é essa. Semana que vem, tudo muda.

Sigo sendo um amador também nas responsabilidades sobre dar o exemplo, mostrar o caminho, para ensinar sobre respeito, cordialidade e modos. Enquanto também preciso proteger e falar das ameaças neste mundo cada vez mais complexo.

Estar presente é uma escolha que eu faço todos os dias, com eles e com a Carol. E ainda que eu seja um bom pai, ainda me cobro pensando que estou deixando algo pra trás, que não estou no nível da maternidade da Carol. Também há o desafio em encontrar o balanço perfeito entre a vida profissional e a vida de pai.

Mas vou desembolando tudo a cada momento e a cada dia. Daqui a pouco, Samuel vai pra escola e a vida muda novamente.

Conforta saber que tive um bom ponto de partida, sendo filho do meu bom e velho Compa, que me ensinou (e eu tento passar para seus netos) toda a curiosidade, a inquietação e a gentileza. É muito maluco perceber que tenho ficado cada vez mais parecido com meus pais e isso será tema de um texto em breve.

Quando mais novo, a decisão por ser pai nunca foi nítida. Fico feliz comigo mesmo ao ver que ela veio na hora certa, fruto do tempo, da maturidade e da vida.

E pensar que já usei o blog para reclamar do choro de bebês em aviões. Agora sou pai de uma dupla.

(Sendo o mesmo para me reinventar).

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