De vez em quando, a sagacidade infantil é tamanha que inviabiliza qualquer correção ou lição ética ou moral.
Outro dia, eu e Samuel íamos embora pra casa, quando no estacionamento, abri primeiro a porta do motorista. Como um raio, ele subiu no banco e começou a brincar no volante, ajustar o retrovisor, mexer nas alavancas.
Nenhum argumento servia para convencê-lo de que eu deveria assumir o assento para irmos pra casa.
– Não, eu estou dirigindo! – falava com toda a autoestima e determinação de uma criança de dois anos e oito meses, enquanto passava a mão no volante.
Nesse movimento, sem querer apertou a buzina e o som ecoou no estacionamento vazio.
– Samuel, não pode buzinar!
– Mas não fui eu! Foi aquele carro preto! – disse, apontando para um carro estacionado e, após uma breve pausa, completou: – Essas pessoas…
Aparecida Lacerda
Essas pessoas! Vou te contar, viu!
Ainda bem que existem.