Entre a imaginação e o método

31 de março de 2026
Posted in Trabalho
31 de março de 2026 Felipe

Entre a imaginação e o método

“Crie feito uma criança e edite feito um cientista.”

Essa frase ótima é do rapper Tyler, The Creator. Fala sobre como combinar olhar fresco e método em nossas práticas diárias e como é um processo que pode e deve se retroalimentar.

Crianças têm uma capacidade criativa infinita, sem regras ou limitações. No dia das crianças do ano passado, escrevi que os brinquedos e desenhos não precisam ter escala, três peças de lego podem formar uma caminhonete, as histórias são fantásticas. Se você convive com uma, sabe do que estou falando.

O método científico traz rigor, criticidade e ponderação. Ele dá forma para uma ideia, suspendendo julgamentos subjetivos, mas com critérios claros para refiná-la, testá-la ou descartá-la. Muitas vezes, ele é transversal: se olhamos para o lado durante uma pesquisa, podemos descobrir similaridades entre segmentos completamente diferentes. Tipo hospitais e equipes de fórmula 1 ou chefs de cozinha e produtores musicais.

É triste perceber que na vida adulta, começamos a criar feito cientista. Na maioria das vezes, a imaginação é cheia de amarras, e as ideias são pouco inovadoras. Não porque paramos de imaginar, mas vamos nos acostumando com um cenário terrivelmente comum dentro das organizações: muito discurso sobre “pensar fora da caixa” e nenhuma prática disso, seja por medo ou cultura.

Na minha experiência, o grande desafio foi desenvolver a parte da edição. Isso veio com o tempo e com a experiência profissional. Penso que a diversidade de públicos e projetos que estive envolvido me ajudou a fazer esse ajuste fino, a validar e apresentar melhor minhas criações.

E isso não significa imaginar menos, pelo contrário. Está tudo certo ter muitas ideias e saber se/como colocá-las pra frente, guardá-las para um segundo momento ou até deixá-las pra lá. Nesse processo, algumas ideias viraram coisas reais:

  • Usar uma joalheria como espaço para um workshop corporativo sobre colaboração, aprendizagem e comunicação. Um local criativo e que todas as pessoas convidadas, da liderança à operação, estão no mesmo nível de conhecimento e vulnerabilidade.
  • Chamar Victor Wooten, músico super premiado, para fazer o fechamento de seminário sobre educação profissional que tinha a cultura maker como tema. Afinal, “criatividade, tentativa e erro” são conceitos comuns entre pessoas que tocam instrumentos e pessoas que colocam a mão na massa.

No âmbito pessoal, sigo criando, elaborando e editando. Os cadernos de anotações, a página de rascunhos do meu blog e os álbuns de fotos são a prova disso. Muita coisa registrada, algumas esperando o melhor momento para ganharem o mundo. Ou não.

No final das contas, entendo que trata-se de continuarmos curiosos. Por isso, sigo firme no mantra do Neil deGrasse Tyson, meu astrofísico preferido e alguém que também expressa a sua dimensão imaginativa como poucos:

Um cientista é uma criança que formalizou sua curiosidade em profissão“.

Comment (1)

  1. Paula

    Lembrei daquela conversa que tivemos sobre como algumas coisas foram inventadas como o walkman, por exemplo!

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