Para Nova York

9 de junho de 2023
Posted in Divagações
9 de junho de 2023 Felipe

Para Nova York

Este é um registro um pouco mais extenso da viagem de férias, misturando coisas novas com o que já havia compartilhado no Instagram.

Foram nove dias em Nova York, de 13 a 21 de maio, vivendo a mistura curiosa do “tudo é novo” com “tudo é estranhamente familiar”. Afinal, estava visitando a cidade pela primeira vez e andei impressionado, com um sorriso bobo e a cara de “uau” no meio de referências e espaços presentes nas coisas que já vi, ouvi e li. Sinto que essa mistura do “novo” com o “familiar” pode ter aparecido quando saí do Brasil pela primeira vez, na viagem para Buenos Aires em 2003. Com certeza apareceu quando fui sozinho para a Europa, em 2006. A diferença principal é a quantidade de referências, pela cidade e na bagagem de vida. Nova York está em todo lugar: em discos, em filmes, podcasts, youtube, redes sociais e por aí vai. E tal qual as duas outras primeiras vezes, quis fotografar e anotar tudo que estava vendo e vivendo. O compartilhamento acaba sendo uma boa consequência.

Chegamos no hotel antes do horário do check-in, deixamos as malas na recepção e aproveitamos o tempo para achar um lugar para almoçar e começar a praticar a principal atividade da viagem: caminhar. Caminhar muito. A junção de prints do aplicativo Samsung Health não me deixa mentir. E logo de partida, o “ahhh” estava fixo nos meus pensamentos. “Ahhh, aqui é o Grand Central Terminal“, “ahhh, aqui é a Madison Avenue“.

Corte e junção das telas do aplicativo Samsung Health com a contagem de passos.

Depois do almoço, check-in, banho e um leve descanso, andamos mais uns 20 minutos até Times Square para mais uma sequência de “ahhh” para as cores, telões, anúncios e o contraste da quantidade de pessoas. Em um momento, estávamos andando no meio de uma multidão, tal qual qualquer centro das grandes cidades. Turistas, artistas, comerciantes, dezenas de carrinhos de comida (e queria experimentar todos eles!), trânsito, buzinas e afins. No entanto, quando dobramos uma esquina e andamos dois quarteirões, essa muvuca toda desapareceu e a minha atenção estava nos prédios, nas outras pessoas caminhando, nas cores da cidade.

A minha sorte foi conhecer a cidade com duas mulheres e guias incríveis: Carol e d. Pilar. Foram dias de mistura entre as experiências e visitas anteriores das duas, com a exploração e descobertas de novos lugares, o que me parece ser algo infinito em Nova York. Com elas, conheci o Guggenheim, a High Line, o Harlem, o Village Vanguard, o Central Park. Juntos, descobrimos o The Edge, a Columbia University, o Dumbo e outros lugares bacanas do Brooklyn.

E no domingo de Dia das Mães, fizemos essa foto que é linda e absolutamente simbólica: o 41º dia das mães da Dona Pilar, o primeiro da Carol. Apoiei o celular em uma grade, coloquei o timer em dez segundos e torci para o telefone não cair. Deu certo.

A foto do Dia das Mães no Central Park.

Uma coisa que imaginava e ainda bem que imaginei certo: Nova York é uma cidade que te obriga a olhar e registrar todos os lados. E antes da viagem, um dos meus dilemas era qual lente deveria engatar na minha Canon 5D II velha de guerra. E entre a 50mm, mais leve e menor, e a 24-105mm, maior, mais pesada e versátil, acabei optando pela segunda. Não me arrependi. Ela e o telefone celular tornaram-se a dupla perfeita.

A altura e diferentes revestimentos dos prédios, a movimentação das pessoas, as luzes e seus reflexos são um convite para as fotos. E andei bastante pela cidade com a câmera a tiracolo para fotografar tudo o que me saltava aos olhos. Me senti bastante seguro andando pela cidade com ela à mostra, que só voltava pra mochila dentro do metrô ou para uma melhor distribuição de peso. O celular era a opção para registros de improviso, locais apertados tipo o metrô e quando queria fotografar pessoas ou situações na rua. Falando nas pessoas, lembrei de uma mensagem trocada com o Carlos Hauck, amigo da faculdade, um dos meus mentores e inspirações na fotografia. A diversidade de pessoas é tanta, que eu tinha vontade de fazer fotos de todas elas. Naturalmente, me faltou coragem e penso que seria um pedido esquisito para o outro lado, então segurei a onda.

Várias caminhadas, diferentes pontos de vista: do metrô no subsolo ao 100º andar do The Edge, passando pela Highline, o parque linear e suspenso no meio da cidade; multidões e calmarias. Também experimentamos vários modais de transporte: metrô, ônibus, Toyotas Sienna na versão táxi e Lyft. E no modal carro, tive a experiência de dirigir de Manhattan até Woodbury, um centro de compras que fica a 70 quilômetros da cidade. Eu imaginava que o trânsito de Nova York seria barulhento, mas eu me enganei completamente. É dezenas de vezes pior.

Na hora que estávamos retirando o carro, perguntei ao agente da locadora se ele tinha alguma dica para o trânsito nova-iorquino. Na minha ingenuidade mineira, achava que ele iria falar para prestar atenção nas conversões à direita, que são livres, ou focar no fluxo do trânsito. Ledo engano.

Respire fundo“, foi a resposta dada de olhos fechados e seguida de um leve sorrido. Eu entendi porquê. Toda a raiva e frustração das pessoas que estão dirigindo é descontada na buzina, e elas não estão erradas. Buzinam para quem não acelera quando o sinal abre e a via está livre, buzinam para quem não respeita o sinal fechado e tranca o cruzamento – isso acontece toda hora – e também buzinam para o carro que não anda, mas sem saber que o carro não está andando porque o cruzamento está fechado. É uma sinfonia que toma as 24h do dia. Apesar das buzinas (aprendi com a Carol sobre como usar da forma local) e do prego gigantesco preso no pneu traseiro direito, deu tudo certo. E o vídeo abaixo, feito pela Carol, reflete já o momento de tranquilidade.

 

Naturalmente, um motivo de inspiração na viagem foi a arte, que está em todo lugar da cidade. Dos museus e galerias, passando pela música e as ruas.

No Guggenheim, o desenho do prédio e a exposição “A Year With Children”, que compõe o programa Learning Through Arts, promovido pelo museu dentro das escolas públicas da cidade. Um programa estruturado de artes para as crianças, que desenvolve a criatividade e a expressão por meio da exploração de processos, materiais e técnicas artísticas. Me identifiquei em algumas das criações e expressões e fiquei motivado a escrever um texto exclusivo para tudo isso. (Nota: está na fila.)

No MET, meus olhos estavam focados no cachorro-quente da porta do museu, na exposição do Richard Avedon e suas impressões gigantescas e na esfinge. Tal qual o British Museum em Londres, me fez questionar também as relações de poder e o quantos artefatos foram pilhados e roubados dos seus lugares de origem.

No histórico Village Vanguard, ouvimos a orquestra de jazz residente das segundas-feiras. Ouvi falar do local há uns dois anos, quando descobri esse disco do Christian McBride Trio. Quando comentei com a Carol, ela disse que conhecia e mencionou a escadinha que descemos para entrar no salão. E fiquei emocionado ao descer a escadinha, sentar em uma mesinha acanhada do salão apertado e estar, nas palavra de John Riley – baterista da orquestra -, “no local onde Miles, Coltrane, Sonny Rollins e tantos outros tocaram e gravaram“.

E finalmente nas ruas, seja de maneira explícita feito as instalações na Park Avenue, ao lado do nosso hotel; ou o mural do Kobra no Brooklyn. E na própria arquitetura e urbanismo da cidade, quando “buscamos” nas composições e contrastes dos prédios e ou vemos a cidade no 100° andar do The Edge.

Nove dias não foram suficientes para entender toda a cidade e as 1.500 palavras também não foram suficientes para falar de toda essa experiência. Deixei muita coisa para trás e a todo momento, fantasiei, observei e enumerei as coisas que quero fazer na(s) próxima(s) visita(s): ver o Flatiron depois da reforma, entrar no Apollo Theater, escutar mais jazz no Village Vanguard, explorar mais o Brooklyn e Manhattan e a lista vai e vai. O legal é saber que a próxima viagem, seja para Nova York ou qualquer outro lugar, será mais especial porque terei meu filho junto comigo. Quero apresentar e conhecer tantos outros lugares do mundo com ele.

Conclusões e reflexos que qualquer viagem proporciona: olhar pra fora para entender o mundo, entender as pessoas. Olhar para dentro e entender os próprios sentimentos, fazer planos, se conhecer melhor e se expressar melhor.

Seguimos!


Links para os posts do instagram: 14/05, 16/05,18/05, 19/05, 20/05 e 21/05. (Bônus: 01/06)

Link para a minha playlist de maio/2023.

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