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O tempo se faz é vivendo

(Tirando da cabeça o que tenho pensado durante a jornada de tirar (de novo!) algo da cabeça)

Desde maio de 2021, todas as vezes que eu saia do tubo da Ressonância Magnética após fazer meus exames de acompanhamento, eu imaginava a cena de abrir a porta e dar de cara com alguém me esperando, só para dizer: “olha, agora deu ruim”. Sempre imaginava, nunca aconteceu. Por um lado, é a minha veia de escritor de ficção imaginando cenas e diálogos. Por outro, é meu corpo dizendo pro corpo estranho que morava no lado direito do meu cérebro: “vá embora e não volte mais”.

Sempre imaginava. Nunca acontecia.

Até a sexta-feira, 13 de fevereiro (a primeira das três do ano), quando a ficção virou não-ficção. O chefe da radiologia do hospital estava me esperando na porta da sala e me perguntou se eu toparia fazer exames complementares no dia seguinte. Afinal, alguma coisa havia crescido ali.

Foi um choque entrar no hospital pensando “para a velhice vou” e sair pensando “nesse tempo que me resta“.

Voltei no dia seguinte, fiz uma espectroscopia e uma RM com perfusão. Depois, na sua sala de comando, o médico me mostrou as imagens e falou que aquele astrocitoma retirado quase em sua totalidade em maio de 2021, do tamanho de um ovo caipira, cresceu de novo. No mesmo lugar, agora do tamanho de uma azeitona preta. Com a diferença que agora ele está mais localizado e delimitado.

Nas semanas seguintes, fiz consultas com o neurocirurgião que me operou e o oncologista que me acompanha. A opinião é unânime, o caminho é como da primeira vez: cirúrgico. Abrir a cabecinha, arrancar aquela azeitona, me recuperar e seguir a vida. Infelizmente, não consideraram a minha ideia de trocar as placas de titânio por dobradiças, de modo que qualquer intervenção futura seja mais simples.

O hospital já deu entrada no pedido de autorização da cirurgia e estamos aguardando os trâmites e burocracias no plano de saúde. Nesse aspecto, meu caso e a minha vida não parecem valer muito, mesmo com pedidos e mais pedidos de celeridade no processo.

Não sei quando ao certo, vou reviver o roteiro, ansiedades e incertezas, algumas já conhecidas. Assim como receber o carinho, apoio e afeto dessa rede de apoio que foi criada da primeira vez e que já está tendo uma importância incrível no processo.

Além desta lentidão e falta de notícias do plano de saúde, o que tem minado meu estado de espírito e a (outra saúde mental) é o quanto eu tenho a perder, apesar de um tumor menor. Cinco anos depois, tenho uma família, uma esposa incrível, o casal de filhos mais sensacionais e a necessidade de vê-los crescer e se desenvolver, junto com a vontade de colocar os meus planos pra frente.

(A parentalidade muda tudo na vida. Tudo. E isso será tema para outras conversas e outros textos.)

Tenho me apoiado nas escritas, reflexões e conversas para processar este turbilhão de coisas. Diferente da primeira vez, quando achei que deveria abrir mão de fazer qualquer plano, agora sei que os planos moram na interseção entre esses dois pensamentos: “para a velhice vou” e “quanto tempo me resta?

Seguimos.

Faça a sua banda

Adorei o artigo “Start a Band, Even if you’re Terrible” do Hugo Lindgren para o The New York Times. Traz o argumento central de que tocar em banda é um momento de pertencimento e convivência, mesmo quando não há nenhuma pretensão profissional ou a pressão pela produtividade a todo momento.

“Os problemas da vida, grandes e pequenos, recuam quando você entra em uma sala e toca música com alguns amigos ou amigos de amigos ou, por que não, completos estranhos.”

Já tive a experiência de tocar nas três circunstâncias e atesto a veracidade da frase. Estúdios são um dos espaços onde os problemas do dia a dia ficam de lado.

Um ensaio é o momento onde as habilidades humanas são quase palpáveis. Todas aquelas que são cobradas (e muitas vezes pouco desenvolvidas) no mundo corporativo: colaboração, comunicação e empatia, por exemplo. É preciso estar presente, com atenção e empatia para ir do “estou tocando esta música” para “ESTAMOS tocando esta música e tudo bem errarmos uma, duas ou 15 vezes”.

Além disso, há a motivação intrínseca para expandir o repertório e, ao mesmo tempo, fazer com que esse momento seja o mais prazeroso possível.

Minha banda atual tem sido um tremendo apoio emocional e um espaço de convivência nos tempos turbulentos atuais. Quase um caso de sucesso sobre como a empatia e o suporte para além da música podem aparecer de forma tão natural e em tão pouco tempo.

Agora, se a música não for a sua onda, esse momento de encontro pode acontecer em outros espaços. “Sua banda poderia ser um clube do livro, um coletivo de tricô, um cinema pop-up, uma noite de jogos”, argumenta Lindgren.

Defendo e reforço outra passagem do artigo, mas aqui com um certo viés, porque fala do meu ofício musical. “Seja especialmente gentil com seu baterista, se você tem um, porque bateristas são impossíveis de achar”.

Foi o que aconteceu no Álamo, minha primeira banda em 2000/2001. Tive a sorte de começar em um espaço onde sobrou gentileza para que este jovem baterista, péssimo em seu ofício, tivesse espaço, incentivo (e paciência dos amigos) para se desenvolver.

E mesmo depois de quase 30 anos tocando bateria, é importante ter espaços onde as baquetas podem sair voando.

Um tempo, duas medidas

Nessa residência, só um lado tem direito à tranquilidade durante a reflexão. E não é o adulto.

Outro dia, fui ao banheiro, fechei a porta e sentei no vaso. Meio segundo depois, escuto o som crescendo de uma corridinha e três batidas na porta.

— Papai, que tá fazendo?
— Cocô, Samuel!

Escuto a corridinha pra fora do quarto e uma frase: “papai tá fazendo cocô, mamãe“.

Agora, outra corridinha de volta à porta do banheiro.

— Já acabou, papai?
— Não, filho.
— Tá. Faz xixi. E pum também.
— Pode deixar, Ieiel.

Passa um segundo e ouço mais três batidinhas na porta.

— Acabou, papai?

(Saí do banheiro dois minutos depois)



Alguns dias depois, estamos nos preparativos do banho do Samuel.

Como sempre, ele vai pro quarto para fazer cocô e pede que eu o espere no banheiro, no lado oposto do corredor. “Fica aí enquanto eu faço cocô“.

Três minutos se passam e eu pergunto se ele já acabou o trabalho.

— Tô fazendo.

Mais três minutos e eu repito a pergunta.

— Ainda não, estou fazendo!

Espero mais um pouco e resolvo mudar a abordagem.

— Filho, quanto tempo você precisa pra terminar de fazer cocô?
— Um mês!

(Ele já tinha acabado e estava enrolando para tomar banho).

Entre a imaginação e o método

“Crie feito uma criança e edite feito um cientista.”

Essa frase ótima é do rapper Tyler, The Creator. Fala sobre como combinar olhar fresco e método em nossas práticas diárias e como é um processo que pode e deve se retroalimentar.

Crianças têm uma capacidade criativa infinita, sem regras ou limitações. No dia das crianças do ano passado, escrevi que os brinquedos e desenhos não precisam ter escala, três peças de lego podem formar uma caminhonete, as histórias são fantásticas. Se você convive com uma, sabe do que estou falando.

O método científico traz rigor, criticidade e ponderação. Ele dá forma para uma ideia, suspendendo julgamentos subjetivos, mas com critérios claros para refiná-la, testá-la ou descartá-la. Muitas vezes, ele é transversal: se olhamos para o lado durante uma pesquisa, podemos descobrir similaridades entre segmentos completamente diferentes. Tipo hospitais e equipes de fórmula 1 ou chefs de cozinha e produtores musicais.

É triste perceber que na vida adulta, começamos a criar feito cientista. Na maioria das vezes, a imaginação é cheia de amarras, e as ideias são pouco inovadoras. Não porque paramos de imaginar, mas vamos nos acostumando com um cenário terrivelmente comum dentro das organizações: muito discurso sobre “pensar fora da caixa” e nenhuma prática disso, seja por medo ou cultura.

Na minha experiência, o grande desafio foi desenvolver a parte da edição. Isso veio com o tempo e com a experiência profissional. Penso que a diversidade de públicos e projetos que estive envolvido me ajudou a fazer esse ajuste fino, a validar e apresentar melhor minhas criações.

E isso não significa imaginar menos, pelo contrário. Está tudo certo ter muitas ideias e saber se/como colocá-las pra frente, guardá-las para um segundo momento ou até deixá-las pra lá. Nesse processo, algumas ideias viraram coisas reais:

  • Usar uma joalheria como espaço para um workshop corporativo sobre colaboração, aprendizagem e comunicação. Um local criativo e que todas as pessoas convidadas, da liderança à operação, estão no mesmo nível de conhecimento e vulnerabilidade.
  • Chamar Victor Wooten, músico super premiado, para fazer o fechamento de seminário sobre educação profissional que tinha a cultura maker como tema. Afinal, “criatividade, tentativa e erro” são conceitos comuns entre pessoas que tocam instrumentos e pessoas que colocam a mão na massa.

No âmbito pessoal, sigo criando, elaborando e editando. Os cadernos de anotações, a página de rascunhos do meu blog e os álbuns de fotos são a prova disso. Muita coisa registrada, algumas esperando o melhor momento para ganharem o mundo. Ou não.

No final das contas, entendo que trata-se de continuarmos curiosos. Por isso, sigo firme no mantra do Neil deGrasse Tyson, meu astrofísico preferido e alguém que também expressa a sua dimensão imaginativa como poucos:

Um cientista é uma criança que formalizou sua curiosidade em profissão“.

Vovós e vovôs

Dentre as inúmeras lições aprendidas na paternidade, uma das que mais se destaca é a competição invisível entre avôs e avós.

É a celebração da sensação de pôr alguém no mundo que pôs outro alguém no mundo. Agora é só ajudar a criar e curtir o processo.

Prova disso é a frase “ser avó/avô é melhor do que ser mãe/pai”, que já li e ouvi por aí e, se faz a alegria deles, também alegra os profissionais que cuidam das cabeças das mamães e papais. Há o lamento de um amigo do meu pai, que o viu “furar a fila saindo de zero para quatro netinhos e netinhas em três anos”.

Ou o diálogo de outro dia. Entrei no táxi e para o espanto de zero pessoas que me conhecem, engatei numa conversa com o motorista. Falamos sobre trânsito, cidade, carros. Na hora que ele parou para que eu descesse, o tema foi netos.

Em uma conversa que demorou o tempo de um PIX, ele me perguntou se estava tudo bem, afinal, entrei no carro saindo do hospital. Eu o tranquilizei, disse que sim, foi só um ecocardiograma para investigar o soprinho no coração da Maria Tereza e está tudo certo, dentro da normalidade.

– Nossa, nem me fala! Meu netinho fez esse exame também e é um susto danado!

Aí eu fiz uma pergunta que mudou o seu semblante de “motorista tranquilo” para o modo “avô super orgulhoso”: “O senhor só tem um neto?”

– Um?? Eu tenho NOVE netos!

E desbloqueou o telefone, abriu o álbum de fotos para mostrar a imagem de cada um deles, como um artista apreciando seu trabalho.

Eu abri a porta e antes de me despedir, perguntei se é verdade que ser avô é melhor do que ser pai. (“É pro meu TCC”, vou começar a falar).

– Com certeza!

Saí com um sorriso no rosto e certo de que o orgulho desse vovô com seus netos é o mesmo que aparece lá em casa e tantos outros lugares.

Que sorte!

Tetê

Algumas madrugadas atrás, quando o sol ainda transitava em Sagitário, a Maria Tereza nasceu.

Um momento com similaridades (tipo as longas e ansiosas horas do trabalho de parto) e diferenças (levar uma bebê para casa 36 horas depois do nascimento) em relação ao do Samuel.

Eram 4h51 quando vi essa mãozinha e todo o corpinho besuntados de vérnix, saindo do campo cirúrgico para o conforto dos braços e colo da Carol. A visão ficou embaçada vendo este primeiro encontro de uma filha esperada com sua mãe, uma mulher forte e que conduziu todo o processo de uma forma linda.

Sua chegada reforça o que vinha pensando nos últimos meses sobre ser presente. Quero dar suporte e acompanhar suas descobertas e construções na companhia do irmão mais velho, dos primos e prima.

Fico feliz que ela nasceu com o presente de estar rodeada por tantas pessoas queridas. Uma rede familiar, de suporte e afeto que me enche de orgulho.

E se é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança, espero que ela saiba que irei fazer a minha parte para que esse espaço seja mais colorido e cordial.

Seja bem-vinda, meu amor. Te prometo piadinhas, brincadeiras, caminhadas para explorarmos esse mundão.

Ademais, posso colocar na minha biografia que sou pai de duas crianças lindas e que as quatro mulheres mais importantes da minha vida (mãe, irmã, esposa e filha) são sagitarianas. Estava escrito nas estrelas.

Sobre cabelos e eletrodos

Desbloqueei um exame novo no meu repertório: eletroencefalograma. Nunca tinha feito até ontem.

Originalmente, era pra ser no mês passado, mas a privação de sono me fez errar o data. Apareci um dia depois do agendado. Enfim, acontece.

Agora fiz tudo certo. Levei todos os documentos, segui o preparo à risca, exceto a orientação de levar um pente e uma toalhinha.

Chego, deito, as moças começam a colocar os eletrodos na minha cabeça, usando um material meio frio e grudento para fixá-los. O exame acontece, levanto da maca e a enfermeira que conduziu os trabalhos me pergunta se eu trouxe o pente e a toalhinha. Digo que não.

– Tudo bem. Vou te dar um papel e você segue até o banheiro ali à direita para limpar sua cabeça.

Ela abre a porta, me indica o caminho com mais clareza. Eu sigo por um corredor de uns seis ou sete metros com pessoas dos dois lados até, finalmente, chegar ao banheiro. Nesse trajeto, todo mundo me observa e eu fico alternando o pensamento entre dois pontos: “me olham porque sou lindo” e “me olham com dó da minha cara de sono“.

Entro no banheiro, acendo a luz e percebo que meu cabelo estava parecido com o do Ben Stiller em “Quem vai ficar com Mary”, com um topete bizarro amparado por uma gosma esquisita.

Dou uma risada, mando uma foto pra Carol (isso é amor verdadeiro), tento arrumar de qualquer forma só para vir pra casa. Sem tanto sucesso. Passei de novo sob o escrutínio alheio. Aposto que pensaram: “o cabelo ainda está esquisito, mas pior, porque está úmido“.

Na próxima eu levo um boné.

Dançar para se tornar

Na semana passada, assisti a dois espetáculos de dança para ver pessoas queridas nos palcos: Carol participou da apresentação de final de ano da escola de balé e a Fernanda, minha cunhada, fez a sua apresentação de flamenco.

Nunca havia visto a Carol bailarina nos palcos. Foi emocionante vê-la ocupando um espaço e um ambiente que lhe são tão familiares, afinal, o balé está na sua vida há mais de 30 anos. O bônus foi vê-la fazendo tudo isso e com uma barriga de 37 semanas de gestação.

Carol é a segunda da esquerda para direita.

Ver a Fernanda dançar é um presente para a audiência, com seu domínio dos passos e dos espaços no Flamenco. Aliás, este é um gênero que acho super interessante pela marcação, pelo sapateado e pelas palmas.

Fernanda é a primeira em pé da direita para a esquerda.

Meu olhar amador para a dança, além de impressionado com as coreografias, ficou vidrado nas expressões faciais e corporais das outras mulheres que estavam no palco. Minha cabeça ficou imaginando o que as motivou para estarem ali.

Entre sorrisos, movimentos expansivos, seriedade, movimentos mais tímidos das meninas e mulheres entre 13 e 70 anos, lembrava de um trecho da carta que o escritor Kurt Vonnegut mandou para alunos da Xavier High School em 2006 e que já foi citada no blog.

Pratique qualquer arte, música, canto, dança, atuação, desenho, pintura, escultura, poesia, ficção, ensaios, reportagens, não importa quão bem ou mal, não para obter dinheiro e fama, mas para experimentar se tornar, descobrir o que há dentro de você, fazer sua alma crescer.

Lembrei de quando eu entrei em uma escola de dança de salão pela primeira vez, há uns 20 anos. Cético e traumatizado com o ocorrido de anos antes, quando tentava dançar forró com uma colega de trabalho e após um minuto, ouvi em alto e bom som: “Cabeça, você não nasceu para dançar”. Carreguei isso para as primeiras aulas, sem sequer entender que a vulnerabilidade e a exposição são muito maiores na dança do que na música.

Na minha posição de baterista, embora eu tenha um papel fundamental na condução da música e da banda, eu toco um instrumento onde é fácil se esconder. Eu posso montar os pratos e os tambores mais altos, posso me curvar para ficar menos exposto, posso fazer o show inteiro sem interagir com a banda e com o público. De fato, é legal ver como os pratos foram ficando cada vez mais baixos ao longo da minha jornada.

Em abril de 2001, o último show do Álamo, minha primeira banda.

Tocando com meus amigos de escola em julho de 2023. Foto: Tamas Bodolay.

Sim, eu sei que a dança de salão tem muito pouco a ver com balé e flamenco. Mas quando dançamos, não há nenhuma barreira que te separe do público, tipo um instrumento musical. E embora seja um ato coletivo, encarar os medos é um exercício solitário. Ao mesmo tempo que via mulheres muito confortáveis no palco, outras estavam mais tímidas e tensas. Ainda assim, todas vencendo a exposição, executando uma coreografia, estendendo braços e pernas, batendo palmas, se deslocando pelo palco, marcando o tempo. E olhos bem abertos para não perderem nadinha.

De fora, imaginei as diversas histórias: quem dança há muito tempo, quem voltou a dançar depois de um longo tempo, quem começou a dançar há pouco, quem quis dançar para vencer a timidez ou porque só conseguiu tempo para fazer isso na idade adulta.

E tal qual quando estou vendo ou tocando em um show, não liguei para os errinhos, para os olhares inseguros ou os sorrisos tímidos. Fiquei feliz em ver um espaço seguro sendo ocupado por pessoas que, por diferentes razões, estão se tornando e fazendo as suas almas crescerem.

Que mais gente possa experimentar esses sentimentos.

Certificado de Amizade

No domingo à noite, andava de carro pela Savassi de vidros abertos e com o som desligado. Uma Carreta Furacão desce a rua Alagoas e para no sinal. Logo atrás, tento fazer uma foto da Carreta, quando um carro para ao meu lado.

Escuto o diálogo animado entre uma mulher e um homem. Começou com ela falando.



– Que legal!
– É divertido mesmo. Olha lá o boneco do lado de fora…
– Tá decidido! Vou fazer meu aniversário na Carreta!
– Sério? Muita gente não vai topar ir.
– Não interessa! Assim fica mais fácil saber quem é meu amigo de verdade.

Eu não consegui fazer a foto como eu queria, mas dei uma risada com o diálogo. Que forma legal para definir uma amizade de verdade!

Para ela, a amizade autêntica não pode ser mensurada somente no apoio em um momento difícil ou se aquela pessoa esteve ao seu lado em uma importante conquista. Ou encarou o “”logo ali” no padrão mineiro de distância e saiu do centro de BH com você (ou para você!) para pegar uma caixa em Esmeraldas e deixar em Nova Lima.

É preciso fazer tudo isso e também topar ir à sua festa de aniversário. Não em um bar ou em um salão. É na Carreta Furacão. Aí sim, ganha o selo “amizade de verdade”.

O sinal abriu, a Carreta e o casal continuaram na Alagoas, eu virei à direita na Cláudio Manoel. Segui pensando na situação e na resenha da hipotética festa de aniversário.

O fulano, esse aí é amigo mesmo. Foi na festa, dançou, abraçou o Fofão… pode confiar!