2022 em 1982 palavras

31 de dezembro de 2022
31 de dezembro de 2022 Felipe

2022 em 1982 palavras

Um emaranhado de ideias, fotos e links sobre 2022, um ano bom na soma de descobertas, avanços, bloqueios, anseios e crescimento. Se quiser ir direto para as reflexões, clique aqui. Você pode aproveitar para ler algo que faltou no ano passado, um apanhado dos meses.

Janeiro começou quietinho, num jantar de réveillon meu e da Carol na comuna entre Nova Lima e Itabirito. Uma semana depois, o primeiro grande evento familiar, o casamento da Bia e do Carlos. No lado profissional, casa nova, gente nova e os primeiros trabalhos do Centro Lemann. Um grande caminho de suposições, interrogações e a curiosidade mútua de explorar e descobrir as possibilidades que eram aventadas no Programa de Formação.

No Linkedin, usei um trecho de “Two Beats Ahead” para descrever as duas semanas de integração: “Para nós, o desafio como colaboradores criativos é duplo: primeiro, estarmos confiantes com nossas habilidades de modo que as outras pessoas possam nos chamar e usá-las. Segundo, estarmos curiosos sobre as outras pessoas, para que possamos criar coisas incríveis, com visão e propósito compartilhados“.

Fevereiro veio com um teste positivo de Covid. As duas doses de Astrazeneca ajudaram a minimizar bastante a doença. Mais pra frente, os exames e consultas de rotina da cirurgia do ano passado, tudo para continuarmos sabendo o que acontece e é visível aos olhos dentro dessa cabecinha. Mais um trimestre vencido. ”Alterações decorrentes do procedimento” e nenhum sinal de tumor. Depois da ressonância magnética, perguntei ao radiologista sobre o que era possível fazer com os dados gerados pela máquina, para além das folhas e folhas de imagens impressas. A resposta foi a imagem abaixo, toda feita com os dados gerados nos meus 25 minutos trimestrais de claustrofobia. “Cabeça”, o apelido de infância, surgiu com embasamento factual.

A minha cabecinha aos olhos da máquina de ressonância magnética,

Austin – Mar/2022 – Foto feita na Brazos St. por uma pessoa solícita,

Março foi um mês cheio. Teve o retorno à Austin para o SXSW e como foi bom rever a cidade que sempre me faz bem. Em 2022, com coloridos especiais: a presença da Carol e o nosso meet-up sobre as dificuldades, redes de apoio e descobertas quando passamos por momentos difíceis de saúde. De lá, ainda fiz algumas reuniões de trabalho, aproveitando as primeiras horas do Centro de Convenções ou a cozinha do Firehouse Hostel. Na volta ao Brasil, fizemos as sessões online de abertura do Programa de Formação de Lideranças e foi lindo ver a ideia se transformando em algo real.

Nota engraçadinha do mês: Eram 7h30 da manhã, e saindo da cozinha do hostel, reconheço um cara que também se hospedava no finado Drifter Jack’s Hostel. Na conversa, quando contei que trabalhava com Educação, o sujeito – que é da Califórnia – olha pra mim e fala: “Rapaz, li um livro que explodiu minha cabeça. Chama-se ‘Pedagogia do Oprimido’… Paulo Freire, eu amo esse cara!” Fui embora com um largo sorriso no rosto.

Em Abril, juntei papéis para o casamento, eu e Carol marcamos a data e demos início à entrega dos convites. A família se juntou em BH para os 70 anos da tia Salete; eu e Carol ficamos presos na estrada na volta para São Paulo. Foi também o momento de retomar os ensaios da prática de banda após dois anos de afastamento por conta da pandemia.

Um salto profissional importante: escrever uma matéria para a Época Negócios e me sentir honrado e assustado. Por um lado, foi muito legal começar a aparecer em um espaço importante e que quero ocupar. Por outro lado, o medo e o bloqueio criativo (e crítico) – resquícios de um outro Felipe – me jogaram num canto que tive dificuldades para sair.

Maio recheado. Voltando de ônibus para São Paulo, vejo uma mensagem da Natália na lista da família sobre o 3 de maio do ano passado, data da minha primeira cirurgia. A resposta para ela virou um post sobre o primeiro ano da minha vida nova. Dias antes, descobri que seria titio e precisei fazer um véu de segredo. Em um sábado de manhã, eu e Carol colocamos umas roupas bonitas, fomos ao cartório e nos casamos, cercados pela família. Um dia gostoso e que serviu de prévia para o mês seguinte. No final do mês, ajudei D. Pilar e Cida na curadoria de um seminário de educação para o SESI Nacional. Uma honra poder colocar a cabeça para trabalhar ao lado de duas mulheres tão poderosas e que servem de referência para mim, que cresci filho e sobrinho.

Na tarde do dia 11 de Junho, uma porção de gente se reuniu em Belo Horizonte e entrou em nosso bonde de celebração e emoção da festa de casamento. Começou de tarde, na Igreja do São Bento, passou pela Casa Bernardi e terminou n’A Obra. Nesse meio tempo, beijos, abraços, choro e muita dança, naqueles momentos que ficam marcados para sempre na vida. “Eu queria morar naquela festa”, foi o que ouvimos de algumas pessoas. Nós também.

Um mulherão desses, bicho. Foto da Ana Slika.

Fomos para o Uruguai na lua de mel, onde bebemos vinho, fizemos um vídeo que é um meme e pensamos que Colônia do Sacramento deve ser um bom lugar para morar na aposentadoria. Na minha ignorância sobre o país vizinho, comemorei quando pedi uma garrafa de água do jeito certo, “Tienes una botella de agua?“. Em seguida, ferrei tudo porque falei “la major” ao invés de “más grande”.

Pousamos em São Paulo, eu troquei a mala e fui para Goiânia e também para Belém do Pará, facilitando as primeiras formações presenciais do Centro Lemann. Ouvi bem mais do que falei, aproveitando para conhecer as lideranças educacionais participantes do programa e saber como melhorar a experiência de aprendizagem digital para essas pessoas. Me “reverenciei” quando percebi que estava fazendo uma sessão de facilitação para lideranças educacionais. As horas de avião me ajudaram a conectar as ideias do Victor Wooten e do Steve Jordan com às minhas próprias.

Julho foi composto pelo planejamento estratégico do Centro Lemann no interior de São Paulo, o aniversário de um ano do GuiGui, sobrinho da Carol e “meu” também, e os primeiros ensaios com a banda do Julio Taubkin para tocar em um casamento em setembro. Eventualmente, descobrimos que nossa participação foi cancelada, o que foi uma pena. Celebrei a chance de tocar com gente nova e me “expor” mais. Lembrei desse tweet do Antonio Sanchez: “Tocar numa banda é um dos melhores exercícios de democracia”.

Completei 40 anos em Agosto. Isso foi motivo de uma crise existencial, de reflexão e de um longo texto sobre o tema que não foi publicado. E nem sei se faz sentido publicá-lo. Foi motivo também de uma festinha pequena no salão de festas do prédio, onde celebrei cercado de tanta gente legal. Stellinha, a whippet, nasceu. No final do mês, mais um “excelente resultado” na ressonância magnética e o casamento da Fernanda e do Gustavo, meus cunhados.

Em Setembro, para ser titio de um casal de gêmeos, são necessários dois chás de bebês e foi isso o que aconteceu. Um em São Paulo, outro em Belo Horizonte, onde aproveitamos para celebrar os aniversários dos pais. O bom sentimento de aproveitar o presente e celebrar as novas chegadas.

Outubro nos brindou com o desafio físico, emocional e mental de sobreviver às eleições presidenciais. De longe, a mais importante na minha vida e a que mais me emocionou, quando ouvi o som de confirmação do voto. O primeiro domingo do mês começou bem, com saída para votar, almoçar e caminhar. Terminou com um sentimento de prato indigesto e de ansiedade, que só foi acabar junto com o segundo turno. O alívio de saber que uma parcela considerável do bairro também celebrou a virada na apuração. Nesse meio tempo, Stellinha, a whippet, foi morar lá em casa e agora somos três.

A cã e o voto.

Novembro tem 30 dias. Passei 16 deles fora de casa, fazendo a segunda rodada das formações presenciais do Centro Lemann em Sobral (CE), Joinville (SC) e Ponta Grossa (PR). Entre as pernas de trabalho, uma viagem em cima da hora para Belo Horizonte, por conta do nascimento da Aurora e do Ravi. No domingo, 13, ligamos para a Natália às 10h da manhã para saber como ela estava. “Tudo bem, mais tarde vamos ao show do Milton”. Às 18h, papai me liga dizendo que Natália já estava na maternidade para ter as crianças. Eu e Carol juntamos tudo e saímos na segunda, 14. Debaixo de um temporal na Fernão Dias, descobri que Carol é praticamente o Ayrton Senna, dada sua habilidade para dirigir sob dilúvio. Mês das boas surpresas.

Finalmente, Dezembro, que começou no Ceará, com o Encontro de Prefeitos e Prefeitas promovido Centro Lemann e o planejamento estratégico para 2023. Depois, Belo Horizonte para poder conhecer e tocar meu sobrinho e minha sobrinha, descobrir novas coisas, ouvir, após a última rodada de ressonância magnética e consultas, que estou (ou continuo) “1000%” e poder celebrar Natal e Ano Novo.


Ao ponto

Que ano! Além das anotações espalhadas em caderninho e conversas de whatsapp, recorri ao Google Fotos – minha outra ferramenta de registro – e às postagens de Linkedin e Instagram para compor essa retrospectiva. Um ano bom, de muito crescimento, onde vivi e fiz muita coisa.

O grande ponto de atenção foi fazer a má interpretação dessa quantidade de experiências novas e, com isso, perder o controle emocional em alguns momentos. Voltava ao velho pensamento “o que estou provando?” ou aplicava a expressão “na força do ódio” de forma literal. Era aí que o bloqueio criativo e crítico apareciam. Quando pensava que o “provar” tinha a ver com “provação”, com a eterna comparação com as outras pessoas e o “provar algo para alguém”. E, como disse a Carol em uma das nossas boas e ricas conversas, “Você não cresce na força do ódio”.

Demorei para perceber que essa “prova” tem muito mais a ver com degustação e experimentação. No fechamento do ano, aplicando essa visão da “degustação” dessa quantidade de experiências, traz ingredientes importantes para vencer esse bloqueio: Coragem, cabeça aberta, saber ouvir e estar presente, mais foco… Além de duas cartinhas do “Baralho de Estratégias Oblíquas” como mantra:

 

Tenho objetivos e planos menores, que servirão de suporte para a grande meta de 2023 e além. Para isso, quero centralizar as ideias e pensamentos nesse espaço, continuar perdendo o medo de mostrar o trabalho, pegar mais leve comigo mesmo e manter a cabeça aberta. Afinal, “o velho e novo fazem a urdidura e a trama de cada momento. Não há fio que não seja uma torção desses dois aspectos“.

Termino 2022 com um sentimento enorme de agradecimento: pelo fato de estar vivo, estar bem e cercado de pessoas maravilhosas. Não há um dia que não penso no diagnóstico e cirurgias do ano passado, e como a vida é um sopro. Na minha cabeça, os períodos de controle clínico compostos de ressonância magnética e consulta com o oncologista, são “arcos trimestrais”. Cada vez que saio da consulta, penso que venci mais um arco. E foram quatro vitórias esse ano. Com muito carinho, penso também nas pessoas que conheci e que passaram ou passam pela situação de um tumor cerebral. Sigo desejando o melhor e aprendendo bastante com elas.

Acredito que 2023 será um ano melhor, no âmbito pessoal, profissional e no cenário macro também. E a jornada só fica mais fácil pelas pessoas que a vida me presenteou. Com a construção em conjunto com a Carol, uma mulher incrível, forte e de coração gigante. Ganhei uma nova família e fui acolhido por ela. Com o novo papel de titio, cortesia da Natália e do Lulu. Com o constante apoio, conversas e carinho do Leo e da D. Pilar, além dos meus tios, tias, primos, primas, amigos e amigas. Obrigado, obrigado, obrigado!

Que sigamos com a coragem de provar, experimentar e ir se descobrindo. Feliz ano novo!


Mantendo a tradição de 2020, esta é minha playlist de 2022:

 

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