17 de setembro de 2019 Felipe

From Russia with love – Parte 2 – Moscou

Parte de Moscou vista da Catedral do Cristo Salvador.

Com tanta coisa acontecendo dos lados de cá, tive pouco tempo para fazer uma pesquisa mais estruturada sobre as coisas que poderia fazer nesses dois dias de Moscou. Mas se tratando de Rússia, quem tem o Fabrício Vitorino como amigo, tem tudo. Ele é a pessoa de confiança para assuntos relacionados ao país, a história, a cultura e se você não acredita nisso, é só dar uma olhada no seu twitter. O Fabrício fez uma lista de atrações que eu deveria ver e eu juro que tentei cumprir à risca.

Aliás, quando descobri que estava indo para a WorldSkills, perguntei pro Fabrício se eu conseguiria aprender russo em 139 dias. A resposta não foi tão otimista. E nesses dias de viagem, foram dezenas de mensagens trocadas e muitas aulas sobre o que eu estava conhecendo. 🙂

Chegando em Moscou, as primeiras coisas que fiz foram trocar dinheiro e comprar um chip de telefone. Até pensei em usar somente o wi-fi, mas como estava receoso em relação às variáveis do deslocamento até o hostel e da cidade em si, achei que essa compra fazia sentido.

Sabia que precisava pegar o trem expresso do aeroporto Sheremetievo até a estação Belorusskaya e de lá, um metrô até a estação Kitay-Gorod com uma baldeação no meio. Uma vez que o trem chegou na cidade, segui a multidão de pessoas e cheguei na estação. Já havia baixado o app do metrô – tem alfabeto latino – consegui comprar a passagem, me locomover entre as baldeações e deu tudo certo.

Uma historinha sobre o metrô

Algumas linhas sobre o metrô. Pra começar, o metrô de Moscou é uma perdição. Sistema gigante, com algumas estações super fundas, porque também foram construídas para servirem de abrigos nucleares, e todas absolutamente lindas. Esse link mostra as 20 estações mais bonitas. É difícil descrever a beleza e os detalhes nas colunas, paredes, teto e piso.

Eu passei em algumas delas, mas digo que é difícil fazer fotos legais. Já estava causando disrupção suficiente no sistema fazendo absolutamente tudo o que me deixa puto no metrô de São Paulo: ficar parado na porta que iria abrir, andar nas estações e parar bruscamente, seja procurando o caminho ou completamente embasbacado pela beleza das plataformas, fiquei até do lado esquerdo da escada rolante (blasfêmia-mor!) e elas são várias e gigantes.

Plataforma da estação Biblioteka Imeni Lenina – Библиотека имени Ленина

As baldeações entre as estações me lembrou as de Paris e Londres, de certa forma. São sistemas antigos, com passagens estreitas, cheias de curvas e muitas vezes não-óbvias. Procurem no mapa abaixo a estação Biblioteka Imeni Lenina – próxima das 7h se a linha circular fosse um relógio – e percebam as baldeações em diamante. Eu precisei de um tempinho para entender como trocaria de linha ali. 🙂

Além disso, algumas estações, tipo a minha Kitay-Gorod, chegam a ter 14 saídas. Saí pelo lado errado e precisei andar uns bons dez minutos na rua. Acontece.

Mapa do metrô de Moscou.

(Voltamos)

Como falei no post anterior, a caminhada para encontrar a Lisa Frizzell me proporcionou o primeiro momento “uau!” da viagem. A Praça Vermelha logo na minha frente trouxe um misto de sensações. Somos insignificantes perto do tamanho das edificações e o que aquele lugar significa para a história.

Joguei pra alguma gaveta escondida da memória a relevância de Moscou pra história. E quando lembrei do pouco que sei da história da Rússia e de Moscou, fica fácil entender porque tudo ali, os prédios, as praças, as avenidas, as estátuas, são amplos e imponentes. São afirmações de poder.

Moscou já foi a capital de um império, o significado-mor de uma ideologia. Os russos já enfrentaram um sem número de conflitos, guerras e invasões e precisam mostrar seu poderio. Toda hora você cruza com uma estátua de três metros de alguém: de Lênin até Dostoiévski passando por Marx. Os símbolos comunistas estão todos ali, especialmente no VDNKh (fala-se vêdénrrá), parque criado para celebrar a potência econômica da União Soviética. São pavilhões para países e indústrias do ex-bloco, além de fontes maravilhosas e restaurantes. Tudo é muito pujante.

Sobre as guerras, fiquei impressionado com o Museu da Grande Guerra Patriótica, como os russos chamam a 2ª Guerra Mundial e o Museu da Guerra Patriótica de 1812, contra Napoleão.

No primeiro, um outro momento “uau” da viagem. Ao sair da estação, você vê um parque imenso e lá no final, um monumento e o museu, gigantes. Esse museu nos ajuda a (re)lembrar quem ganhou a guerra na europa: os russos. Foram três anos de batalha, cercos em São Petesburgo e Volgogrado e 26 milhões de russos mortos. Não fosse o encontro do Exército dos Estados Unidos com o Exército Vermelho às margens do Rio Reno, tema de exposição temporária no museu, talvez os camaradas só parassem em Lisboa.

Hall dos Comandantes

Hall da lembrança e da tristeza

A escadaria e o monumento

Outro lugar que me emocionou bastante foi o Museu dos Cosmonautas, vizinho ao VDNKh. Primeiro, pelo Monumento aos Conquistadores do Espaço, de 107 metros de altura, todo em titânio, com um foguete em seu ponto mais alto. Na base, representações dos homens e mulheres que participaram do programa espacial russo, além da cadela Laika, o primeiro animal a orbitar a Terra. Depois, pela chance de ver o outro lado da história da exploração espacial, incluindo um módulo da Soyuz.

Museu dos Cosmonautas Visto da saída da estação VDNKh

Museu dos Cosmonautas

Esses dois dias só foram possíveis com a listinha feita pelo Fabrício. Ainda consegui visitar o Mausoléu do Lênin, os jardins do Kremlin, a Catedral do Cristo Salvador e o parque Gorki. Me senti muito afortunado pela oportunidade de estar do outro lado do mundo, numa cidade cheia de símbolos. É fruto do meu trabalho, do que construí, e é fruto também do apoio da família. Só pensava como o Leo e a Pilar estariam pirando se estivessem ali. Tentei conhecer o máximo da cidade também para ter história pra contar pra eles.

Antes de voltar pro hostel, fechar a mala e partir cedo no dia seguinte, ainda fiz uma última visita à Praça Vermelha, para poder fotografar a arquitetura iluminada. Belíssima, mesmo com a montagem de uma mega estrutura para um evento no centro da praça.

 

A catedral de São Basílio.

E o evento que estavam montando ao lado da catedral…

Na sala de embarque, todo aquele medo tinha ido embora e parecia algo quase infantil. Os dois dias na cidade valeram demais e serviram como o período de aclimatação ideal para Kazan e a WorldSkills. O trabalho duro e a diversão iam começar pra valer agora.

Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.