19 de dezembro de 2015 Felipe

Ah, a música

Dia da apresentação | Foto: Carol Boaventura

(Ou: Sobre Quarta)

Quando morava em BH, além da Carol, da minha família e dos meus amigos, três coisas eram fundamentais para manter o meu bem-estar mental e físico: o futebol das segundas, as pedaladas das terças e a bateria. No processo de mudança, tive que deixar essas três coisas pra trás, porque elas seriam resolvidas no tempo certo. E nesses cinco anos e meio, a bateria era a única que não aconteceu como deveria.

Porque eu joguei futebol algumas vezes. E eu trouxe a minha Giant velha de guerra de BH para cá e ganhei uma bicicleta dobrável em 2013, então ficou tudo certo. Mas nunca consegui engatar uma banda ou uma turma para ensaiar eventualmente. Fiz dois ensaios com o Rodrigo Borges, em um dos encontros promovidos pelo twitter. E a sensação foi a mesma das primeiras vezes que toquei bateria, tamanha a insegurança. Através do Rodrigo, conheci o Alessandro e ao longo de 2015 fizemos mais uns três ensaios, dessa vez junto com o Diguin, broder desde a pré-escola e parceiro de algumas bandas em BH. Infelizmente, as atribuições da vida real não ajudaram. E isso causava uma frustração enorme, de perder o tesão pela música.

Até que um dia, o Gustavo Silva, que trabalhou comigo na WorldSkills São Paulo 2015, falou da prática de banda que ele fazia em sua escola de música. E eles precisavam de baterista. Para tocar Beatles. Pensei comigo, era perto de casa, uma hora por semana, repertório bom. Eu daria a chance.

Fiz uns dois ensaios e achava tudo esquisito, mas era uma reaproximação com a música. O nível de recomeço era tão grande que voltei a tocar com a bateria montada para canhotos, totalmente invertida. Eu havia montado ela para destro em 2005, quando voltei a fazer aulas de bateria. Mas, como estava parado a muito tempo, resolvi arriscar. E o negócio engatou e fui gostando de novo de tocar. E tudo começou a ficar super divertido, principalmente a quarta-feira, dia da apresentação de fim de ano da escola.

Só três músicas: “Getting Better”, o medley de “Abbey Road” e “Roll Over Beethoven”. Eu estava nervoso, claro, mas entrei sem pressão e cobrança nenhuma. Na minha cabeça, ninguém estava preocupado se eu sabia ou não tocar, com o que ia acontecer. O que era bem diferente de quando queria viver de música, onde eu tinha que provar que era bom, que era “o” baterista, pelo menos na minha cabeça. Em determinado momento, e em Belo Horizonte ainda, isso acabou com minha vontade de tocar. O show na quarta-feira foi a consagração do reencontro. Eu finalmente saquei o quanto a música, a bateria e tocar com outras pessoas são coisas importantes pra mim. Não mais como meio de vida, mas como uma forma de relaxamento e de ver as coisas de uma outra forma.

Que isso se repita em 2016. 🙂

Ah, aqui embaixo tem o vídeo da apresentação e algumas fotos. Sobre o vídeo, coloquei a GoPro na caixa de baixo e mandei ver, mas, sem o devido apoio, a câmera caiu no fim do Medley. 🙁
As fotos são uma gloriosa contribuição da Carol. (Todas elas estão aqui) 🙂

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Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

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