1 de agosto de 2012 Felipe

Londres 2012 (5) – Amarelão?

Amarelar é a justificativa de quem não conhece o esporte

Londres 2012

Este post estava pronto na manhã de hoje, mas tive que editá-lo pós derrota do Tiago Camilo.

Não há como negar que a agenda de todos nós sofre com as Olimpíadas. E nos primeiros jogos das redes sociais, vemos uma enxurrada de comentários sobre qualquer participação brasileira, seja transmitida pela TV aberta ou fechada. Infelizmente, somos um país que assiste a majoritariamente três esportes na TV aberta: Futebol, Vôlei e Fórmula 1. Claro, existem aqueles desafios das manhãs de domingo, onde geralmente somos predominantes e ganhamos de um combinado qualquer. Aquela coisa que já falei aqui. Somos fodas, somos os melhores em tudo. E assim formamos o torcedor brasileiro padrão. O bom e velho torcedor de sofá.

Aí chegam os Jogos Olímpicos. Fazemos um bom primeiro dia, totalmente fora da curva, e os seguintes voltam ao normal. O que o torcedor de sofá faz? Corneta. Vira técnico de judô, canoagem, esgrima, ginástica e tiro com arco. Tudo isso sem ter a menor ideia de quem são os bons, qual é a dinâmica da modalidade, se é possível ter zebra etc. Nessa viagem errada, é só um atleta perder para o twitter sofrer uma enchente de chorume: “Ah, o Tiago Camilo é um amarelão”, “brasileiro é foda, chega na hora final e perde”, “pagamos para esses vagabundos irem pra lá”. Não dá, realmente não dá. Usar o “amarelar” como justificativa é colocar a discussão na profundidade de um pires. Existem muitos fatores em uma competição que não podem ser explicados somente com esta desculpa.

Se pegarmos as últimas duas edições dos Jogos, acho que as coisas ainda estão dentro da normalidade do Brasil nos jogos. Existem esportes como o próprio judô, onde zebras são até comuns e não somos bons em tudo, por mais que pintem o contrário. Por outro lado, como disse em uns posts atrás, quem diria que o Thiago Pereira iria descolar uma medalha de prata?

E finalmente, tem como mudar esse comportamento? Acho que até tem. Uma coisa é o que o Thiago Arantes disse neste tweet:

Além disso, as emissoras podem oferecer outros esportes na grade televisiva, para a turma se acostumar. Também é válido tentar vender o esporte pelo esporte e não pelo fato de ter um brasileiro na jogada e pintá-lo de favorito, mesmo isso não sendo verdade.

Ah, e um pouco de amor próprio é bom também, mas isso é assunto para outro post.

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Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

Comments (5)

  1. Daniela Malavasi

    Felipe, você está totalmente correto. O Brasil, apesar de ser a próxima sede olímpica, está muito distante de ser uma potência. Ainda engatinhamos neste sentido e na maioria dos esportes falta muito conhecimento e incentivo para sua prática. Os programas esportivos e seus elaboradores deviam parar de serem utópicos e falar a real. Não vi nada ainda nos meios de comunicação falando que estamos pré-qualificados para TODOS os esportes olímpicos para 2016. Nós temos uma equipe de Badminton? Alguém pratica isso a sério no Brasil? E as demais modalidades, tirando o vôlei, basquete, futebol? Devemos torcer, como vc mesmo disse, mas vamos torcer também para que a prática esportiva não seja apenas para ganhar medalhas e espaço na mídia, mas sim, uma forma de melhorar a educação e ajudar no crescimento da próxima geração. Desta forma sim os resultados irão aparecer.

  2. São as típicas viúvas do Senna, mal-acostumadas a ver um atleta brasileiro realmente genial (como ele foi) em algo que não seja futebol. São incapazes de compreender que o mero fato de um atleta participar de uma olimpíada já é algo digno de louvores. Não param pra pensar que o treinamento envolve muito tempo, esforço, dinheiro, etc.

    • Rodrigo Diniz

      Chico, teve o Guga também. Tinha que por esse povo pra correr, nadar e saltar como vara! Praticar ginástica olímpica então dever ser moleza! TODOS os atletas olímpicos tinham que ser aplaudidos de pé, independente de medalha. Principalmente os atletas de países que quase nada oferece de incentivo.

      E pior que o torcedor Corneta é o comentarista Corneta (vulgo jornalista esportivo). Aquele barrigudo pé-de-cana que nunca jogou 15 min de pelada na vida e fica ensinado jogador como que faz gol.

  3. Excelente, Cabeça. A galera não viabiliza o sucesso e quando ele não vem mete o pau. Outra coisa, falar que o Diego Hypólito amarelou é fácil, quero ver fazer um duplo twist carpado e cair de pé na frente do mundo inteiro. Só de estar numa olimpíada já é uma conquista incrível. Ganhar é um lucro gigantesco. Comemorar medalha é justo e devemos fazer. Mas na derrota é importante respeitar o atleta, mesmo porque outros tiveram que ser incríveis para poder superá-lo. Perder, neste caso, não é pouca coisa, não.

  4. Rodrigo Diniz

    “Cielo decepciona e leva apenas bronze nos 50m livre” Na capa do Globo.com. “Apenas” bronze e “decepciona” é foda! Como se isso fosse fácil. Parece que o cara tem a obrigação de ganhar ouro sempre. Ainda mais na natação, que é competitiva pra baralho.

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