Adorei o artigo “Start a Band, Even if you’re Terrible” do Hugo Lindgren para o The New York Times. Traz o argumento central de que tocar em banda é um momento de pertencimento e convivência, mesmo quando não há nenhuma pretensão profissional ou a pressão pela produtividade a todo momento.
“Os problemas da vida, grandes e pequenos, recuam quando você entra em uma sala e toca música com alguns amigos ou amigos de amigos ou, por que não, completos estranhos.”
Já tive a experiência de tocar nas três circunstâncias e atesto a veracidade da frase. Estúdios são um dos espaços onde os problemas do dia a dia ficam de lado.
Um ensaio é o momento onde as habilidades humanas são quase palpáveis. Todas aquelas que são cobradas (e muitas vezes pouco desenvolvidas) o mundo corporativo: colaboração, comunicação e empatia, por exemplo. É preciso estar presente, com atenção e empatia para ir do “estou tocando esta música” para “ESTAMOS tocando esta música e tudo bem errarmos uma, duas ou 15 vezes”.
Além disso, há a motivação intrínseca para expandir o repertório e, ao mesmo tempo, fazer com que esse momento seja o mais prazeroso possível.
Minha banda atual tem sido um tremendo apoio emocional e um espaço de convivência nos tempos turbulentos atuais. Quase um caso de sucesso sobre como a empatia e o suporte para além da música podem aparecer de forma tão natural e em tão pouco tempo.
Agora, se a música não for a sua onda, esse momento de encontro pode acontecer em outros espaços. “Sua banda poderia ser um clube do livro, um coletivo de tricô, um cinema pop-up, uma noite de jogos”, argumenta Lindgren.
Defendo e reforço outra passagem do artigo, mas aqui com um certo viés, porque fala do meu ofício musical. “Seja especialmente gentil com seu baterista, se você tem um, porque bateristas são impossíveis de achar”.
Foi o que aconteceu no Álamo, minha primeira banda em 2000/2001. Tive a sorte de começar em um espaço onde sobrou gentileza para que este jovem baterista, péssimo em seu ofício, tivesse espaço, incentivo (e paciência dos amigos) para se desenvolver.
E mesmo depois de quase 30 anos tocando bateria, é importante ter espaços onde as baquetas podem sair voando.