Dentre as inúmeras lições aprendidas na paternidade, uma das que mais se destaca é a competição invisível entre avôs e avós.
É a celebração da sensação de pôr alguém no mundo que pôs outro alguém no mundo. Agora é só ajudar a criar e curtir o processo.
Prova disso é a frase “ser avó/avô é melhor do que ser mãe/pai”, que já li e ouvi por aí e, se faz a alegria deles, também alegra os profissionais que cuidam das cabeças das mamães e papais. Há o lamento de um amigo do meu pai, que o viu “furar a fila saindo de zero para quatro netinhos e netinhas em três anos”.
Ou o diálogo de outro dia. Entrei no táxi e para o espanto de zero pessoas que me conhecem, engatei numa conversa com o motorista. Falamos sobre trânsito, cidade, carros. Na hora que ele parou para que eu descesse, o tema foi netos.
Em uma conversa que demorou o tempo de um PIX, ele me perguntou se estava tudo bem, afinal, entrei no carro saindo do hospital. Eu o tranquilizei, disse que sim, foi só um ecocardiograma para investigar o soprinho no coração da Maria Tereza e está tudo certo, dentro da normalidade.
– Nossa, nem me fala! Meu netinho fez esse exame também e é um susto danado!
Aí eu fiz uma pergunta que mudou o seu semblante de “motorista tranquilo” para o modo “avô super orgulhoso”: “O senhor só tem um neto?”
– Um?? Eu tenho NOVE netos!
E desbloqueou o telefone, abriu o álbum de fotos para mostrar a imagem de cada um deles, como um artista apreciando seu trabalho.
Eu abri a porta e antes de me despedir, perguntei se é verdade que ser avô é melhor do que ser pai. (“É pro meu TCC”, vou começar a falar).
– Com certeza!
Saí com um sorriso no rosto e certo de que o orgulho desse vovô com seus netos é o mesmo que aparece lá em casa e tantos outros lugares.
Que sorte!