(Samuel entra em casa com sua bicicleta de equilíbrio roncando alto. Agora é um motoqueiro.)
Quando a criança cresce, não é somente na altura e no peso.
Ela cresce também quando as palavras erradas ficam certas. “Pocilial” vira “policial”, “enócio” vira “negócio” e “iego” vira “Lego”.
Quando você sai para passear e escuta quatro “por quês” em cinquenta metros de rua.
– Papai, por que a Stella tem orelha?
– Por que a Stella faz xixi?
– Por que aquela criança tem medo da Stella?
– Por que aquele T-Cross é preto?
Quando ela, do nada, dá uma opinião honesta:
– Mamãe, por que você não comprou linguiça esta semana?
E quando pega o violão e faz um show com notas que não existem e letras em inglês imaginário.
Quando esse dia chega, bate um susto. Caramba, ela está crescendo. E bate um pouco de saudade com um alívio ao ver que, além de tudo, a curiosidade também continua sem limites.
Há a porção da ansiedade, porque em breve a irmã mais nova vai começar o seu processo de descobertas. E imagine esta casa daqui a alguns anos, com duas crianças dando 110% de si nas primeiras horas da manhã.
E, mesmo que precise de muita paciência e uma infinita capacidade de argumentação e negociação (sigo firme na ideia de que quem negocia com crianças de dois anos consegue resolver qualquer conflito entre países), no fim das contas tudo corre como o planejado.
O que realmente quero é que minhas crianças continuem abundantes nos porquês e na curiosidade.
Giovanna A Mattos
É um misto de emoções quando nos damos conta que nossas crianças estão crescendo, e que, por vezes, na correria da rotina, deixamos de registrar as palavras “em construção “. Clarinha falava “ombus”, “Mokina” e “tia Ekila”. No dia em que falou ônibus, Mônica e tia Érika queria voltar no tempo para ter filmado tudo aquilo.