26 de março de 2015 Felipe

O jornal Facebook

Pingou na newsletter do Quartz, vindo do The New York Times e no The Atlantic: O Facebook quer virar uma plataforma de notícias. Como? Pedindo para que alguns veículos postem diretamente na rede social. Ao que parece, Buzzfeed e National Geographic foram sondados para isso, além do próprio The New York Times.

O Facebook quer ser o grande atacadista de notícias, tudo em um ambiente só e sem ser o responsável pela criação do conteúdo. O usuário continua dentro do site – diminuindo o tempo de carregamento da notícia – e sendo alvo da maior quantidade possível de anúncios nesse meio tempo.

Meus dois centavos sobre o assunto. Eu acho um tremendo vacilo colocar todas as fichas no Facebook. Tempos atrás, vi um certo movimento de websites migrando para as páginas da rede social, “onde a audiência está”. É o caminho mais fácil, mas imagine se um dia o Zuckerberg mudar a política de uso e começar a cobrar cada página por suas curtidas, ou likes, ou postagens? Do mesmo jeito, não sei se veículos estabelecidos gostariam de ser servos no reino do Facebook. Tenho muitas dúvidas sobre isso. Como será o modelo de negócios dessa parceria? O Facebook irá distribuir o lucro? Afinal, os veículos ainda lutam para sobreviver no mundo digital e para entender como deixar a operação rentável. Uma outra mudança pode ser a pá de cal.
Da mesma forma, se comportarão os veículos que não querem aderir ao modelo? O Vox, por exemplo, que consegue 40% da sua audiência através do Facebook e ao que parece, estão indo bem. A não ser que o Facebook puna-os com uma mudança no algoritmo, não será fácil convencê-los a mudar a forma de atuação. Jogar em seu próprio terreno significa ter controle das métricas e dos anúncios. É muita coisa em jogo para uma troca.

Por outro lado, como defende o Terence Reis, o futuro do conteúdo é fragmentado. Nesse ponto, faz sentido distribuir o conteúdo pelo Facebook e por quem mais oferecer uma plataforma. Um protótipo disso seria a Apple TV, onde diversos canais oferecem o mesmo conteúdo que você veria, por exemplo, na TV “comum” ou em um website.
De repente, e finalmente, os veículos conseguirão lucrar com a produção da notícia em si, colocando o conteúdo em qualquer plataforma. Não sei como isso funcionaria ao certo, principalmente na questão financeira: acessos da API, contagem de visitas? É algo que precisa ser discutido. Mas sou eu elocubrando apenas.

Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

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