31 de maio de 2013 Felipe

Pena (2)

Torcida | Foto: Nario Barbosa | Flickr

(ou, como é bom o futebol)

Na quarta, eu e o Nizer acompanhávamos pelo celular a disputa de pênaltis entre Newell’s Old Boys e Boca Juniors, pelas quartas de final da Libertadores. “Disputa de pênaltis envolvendo times dos outros é uma obra de arte”, concluímos. Depois de 13 cobranças, o Newell’s avançou para a semi-final, ganhando por 10 a 9.

Ontem, eu e Carol torcemos loucamente para o Tijuana contra o Atlético Mineiro. Entoávamos cantos de guerra e apoio irrestrito ao técnico “Turco” Mohamed. Ao mesmo tempo, pelo WhatsApp, eu e Gabas Bahia já redigíamos o contrato de Riascos, o poderoso 20 da equipa rubro-negra. Seria o reforço ideal para o Cruzeiro no Campeonato Brasileiro. Seria, até ele perder um pênalti aos 48 do segundo tempo e dar a classificação para o outro time. Agora vou torcer para o Newell’s Old Boys.

Demorei pra dormir. Estava tão ligado em uma partida que me interessava pelas metades, já que tratava-se de uma partida envolvendo o arqui-rival do meu time. Hoje chego para trabalhar e vejo que muita gente também assistiu ao jogo. Só lembrei de um post sensacional escrito pelo Marcão, no seu Velho Ludopédio. Em “Pena”, ele fala do sentimento que sente pelas pessoas que não gostam de futebol. Eu partilho dele.

Eu tenho muita pena de quem não gosta de futebol. Pena mesmo. Dó, compaixão, piedade, compadecimento, comiseração. Daquele tipo tão forte que chega a me deixar triste, com vontade de colocar o pobre diabo no colo, alimentá-lo e fazê-lo dormir. Apenas pra que ele se esqueça do quão miserável e vazia é sua condição humana.

Honestamente, não tem como não gostar de futebol depois de um jogo feito o de ontem. Ou feito a final entre Cruzeiro e São Paulo na Copa do Brasil de 2000. Ou feito Brasil e Argentina pela Copa América de 2004. Como diz o Walteen, futebol é um esporte com um repertório narrativo infindável. Ele, só ele, pode nos proporcionar tanta emoção assim. E isso basta para curtir.

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Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

Comments (3)

  1. Então… Tem jeito sim. Eu vi partes do jogo, apreensivo com o resultado, que me impacta diretamente. Quando o galo ganha, um cara do meu prédio põe o hino no volume máximo e no repeat infinito, e um outro babaca do prédio ao lado joga ovos aqui. O buzinaço, gritaria e foguetes me irritam profundamente – além de assustarem Leia. Acho que odeio futebol ainda mais.

  2. Tibúrcio Barros

    Sempre gostei de futebol até que tomei consciência do que o mundo é, e especificamente no futebol (e em outros esportes também), com seu uso político (1970 no Brasil e 1978 na Argentina), corrupção, combinação de resultados e outras mais. Sei que você não esquece disso por isso acredito que tenha a habilidade de separar as coisas melhor do que eu.
    Por acaso estava arrumando mala e lembrei do jogo do meu time, quando tive a oportunidade de ver o pênalti e depois a defesa do Victor. Sorri, apenas feliz mais pelos amigos.
    E a propósito, como é chato esta gritaria de vizinhos, para qualquer torcida.
    Abraços,

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