27 de maio de 2013 Felipe

Drops sobre Neymar

Neymar utilizou o seu instagram pra dizer que estava indo para o Barcelona

E na noite de sábado, todos fomos “surpreendidos” pela confirmação da transferência do Neymar para o Barcelona. Notícia dada em primeira mão pelo próprio jogador no Instagram. Em 2013 a gente precisa esquecer assessoria de imprensa, empresários e tal. O anuncio oficial saiu do celular do cara, na rede que ele sente-se mais tranquilo.

O surpreendido do parágrafo acima está em aspas propositais. A Rede Globo já devia saber do desfecho com antecedência, por dois motivos principais: A cobertura em tempo real da reunião entre Barça e Santos na sexta, com ares de cobertura papal e o vídeo exclusivo da narração da sua carta de despedida, feita para o Esporte Espetacular.

Ainda sobre a Globo, o que me impressionou durante as transmissões esportivas no domingo foi a importância dada pela emissora à transferência. Em absolutamente TODOS os jogos do Campeonato Brasileiro algum jogador teve que responder a pergunta “O Neymar está indo pro Barcelona, qual sua opinião?” para o microfone da emissora. Fiquei com medo da pergunta ser feita para o Nico Rosberg na Fórmula 1 e para o Minotauro no TUF, se esse não fosse gravado. Enquanto isso, a Band não estava nem aí. Quase podemos supor que o Neymar é um produto pra Globo e “apenas” um jogador pra Band.

Em um post sobre este assunto no Facebook, ouvi que “A profissão de jornalista está com os dias contados“. Concordo em partes. Acho que na verdade, o jornalismo como conhecemos está morrendo. Afinal, estamos em uma época onde apuramos notícia no Instagram e que o papel do assessor de imprensa torna-se quase secundário em certos aspectos. O jornalista ainda precisa saber apurar, fazer as perguntas certas (por isso o Barrichello é comentarista e não repórter), criar uma relação de confiança com suas fontes e ser um curador das boas notícias (registre-se, estou falando de qualidade).

Tempos atrás, esta notícia seria dada por determinado jornalista em determinado veículo, ou seja, aquele que seria da confiança de Neymar e estafe. Não teve isso e não teve nenhum jornalista falando ou escrevendo “em primeira mão” ou “como adiantamos“. Quando o principal personagem da notícia dá o furo é porque as coisas mudaram um bocado.

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Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

Comment (1)

  1. Sergio Rosa

    E aí, Felipe! Acho interessante a discussão. No entanto, tenho muita resistência com essas afirmações de “tal coisa morreu” ou “está com os dias contados”. Já foi o rock, o livro, o jornalismo e muitas outras coisas que continuam aí. Eu sou da ala mais moderada, aquela que acredita que as coisas se complementam.

    Não acredito que a possibilidade de suprimir intermediários em certos momentos faz com que algo entre em extinção (o Neymar vai continuar precisando da assessoria dele para outros assuntos). A questão é que a informação nunca gostou de esperar trâmites oficiais, burocráticos e demorados.

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