18 de março de 2013 Felipe

O metrô de São Paulo nos faz mais burros

Colagem de fotos minhas do metrô e do trem em SP

Está n’O Guia do Mochileiro das Galáxias: “Os humanos são criaturas bípedes da Terra e são a terceira espécie mais inteligente do planeta, depois dos ratos e dos golfinhos”. Seria uma verdade absoluta, mas imagino que o sujeito que escreveu sobre a Terra não tenha visitado São Paulo. Infelizmente, o metrô desta cidade fundada por Manuel da Nóbrega e José de Anchieta subverte isso tudo e nos embrutece. (Nota: Comecei a escrever este post no iPhone. Ia escrever emburrece, mas o corretor do telefone insistiu na opção embrutece. Acho que ele não é tão burro). Diariamente, o metrô de São Paulo nos transforma nas espécies mais burras do planeta e nos faz esquecer aquela clássica citação do documentário Ilha das Flores.

“Os seres humanos são animais mamíferos, bípedes, que se distinguem dos outros mamíferos (…) por duas características: o telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor. O telencéfalo altamente desenvolvido permite aos seres humanos armazenar informações, relacioná-las, processá-las e entendê-las. (…)”

É impressionante. Os Vikings invadindo Paris foram mais ordeiros do que todos nós somos quando fazemos a transferência da Linha 4 para a Linha 2 no horário de pico. Querem exemplos?

A correria. As pessoas correm, na maioria das vezes, sem o menor motivo no metrô. Talvez o timing esteja errado, porque a correria costuma terminar em uma muvuca gigante. Outro dia, estava descendo a escada rolante para a plataforma na Estação Paulista, sem o menor sinal de metrô chegando. De repente passa um cara em desabalada carreira para dar de cara com a porta fechada. Quando fazia baldeação no Paraíso, onde a Linha 1 e a Linha 2 são separadas por uma plataforma, já cansei de ver as pessoas correndo para verem as portas do metrô fecharem nas suas caras.

A aglomeração. Junto com a correria, todos nós aglomeramos. Descobrimos qual vagão fica mais perto da melhor saída da estação e todos vamos pra ele. Resultado: Alguns vagões absurdamente lotados, outros vazios. Taí a estação Consolação à noite que não me deixa mentir.

A falta de educação. A quantidade de grunhidos e rosnados escutados é impressionante. Sem contar os empurrões, ombradas, pessoas furando fila ou que ficam paradas do lado esquerdo da escada rolante, congestionando a descida.

Exemplos não faltam e a caixa de comentários tá aí pra que vocês deem os seus. Eu juro que me esforço para tentar ser um oásis de benevolência e boa-vontade, mas confesso que minha paciência some em certos momentos. E olha que já perdi a conta das corridas sem sentido e das portas fechadas na minha cara, mesmo sabendo que outro metrô vai passar em poucos minutos.

Ou seja, se o editor d’O Guia do Mochileiro das Galáxias visitasse o Metrô de São Paulo, ele iria utilizar a mesma definição que usam para Amor: “Evite sempre que possível”.

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Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

Comment (1)

  1. Guilherme

    O pior não é o metrô, é o usuário do sistema de transporte no Brasil. O brasileiro é profundamente mal educado quando entra num ônibus, avião, metrô. É como se a dor dele – de se submeter ao caos urbano – fosse indiscutivelmente maior que a sua. “Você que se dane”, balbuciam os cérebros desses ignóbeis.
    Incomoda-me muito ver, principalmente em ônibus, pessoas (não as com necessidades ou prioridade, sim?) que viajam sentadas, tranquilas, espaçosas, roubando dos colegas de ala o “apoio cotovelal” ou invadindo a demarcação imaginária da perna. São elas que, além de obter vantagens, ainda querem, no ponto final, descer na frente da pessoa que ficou 1h30 em pé e que passa a ser inimiga porque está mais perto da porta de saída. Como se nada fosse o bastante e a supremacia umbiguista tivesse que prevalecer sempre.
    A essas pessoas, sempre respondo com punições, que é o que funciona. A melhor: cercá-la com o apoio da vista de 180º. Descem todos, menos ela. Vai ficar fula? Vai. E merece. E nesse instante sou como ela: ignóbil, mas vencedor.

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