14 de janeiro de 2013 Felipe

Facing Ali

Ontem assisti ao documentário “Facing Ali“. Nele, a história de Muhammad Ali é contada por dez lutadores que o enfrentaram nos ringues e posso dizer uma coisa, sem medo de errar: Nenhum esportista foi ou é tão relevante feito Muhammad Ali, em qualquer contexto.

Um adendo, sou um fã do boxe. Quando criança, tentava ficar acordado para assistir às lutas do Mike Tyson. Quase não conseguia, óbvio. Mas de vez em quando dava pra ver ele derrubar um infeliz no primeiro assalto ou vê-lo morder a orelha do Holyfield. No entanto, o hoje o boxe está sendo totalmente ofuscado pelo MMA. Eu torcia o nariz, mas agora começo a acompanhar o UFC, por exemplo. Continuo convicto de que os personagens são piores e menos carismáticos que os do boxe e “Facing Ali” me ajudou neste dogma.

Facing Ali - DVD

Facing Ali – DVD

Agora observem, nenhum esportista foi tão amado e odiado ao mesmo tempo feito Muhammad Ali. No âmbito esportivo, todos os entrevistados foram unânimes em dizer que Ali subiu o nível do esporte e todos tornaram-se boxeadores melhores. Ao mesmo tempo, ele era odiado pelo Trash Talk, a conversa mole e a provocação pré-luta e pelo escárnio em cima do ringue. Pedia pro cara bater, abaixava a guarda, falava ao pé do ouvido “é só isso que você consegue?”.

Duas passagens em especial me tocaram. A primeira, vocês podem ver no trailer abaixo. George Foreman fala que para ele, Ali foi o maior pelo soco que ele não deu. No Rumble in the Jungle, milenar luta entre os dois em 1974, Ali poderia encaixar um soco de direita no trôpego Foreman. “Eu daria, todo mundo daria esse soco. Mas ele não”.

A segunda, quando ele fala que não iria para a guerra do Vietnã e recebe tremendo apoio popular. Entre as razões, ele não tinha nada contra os vietcongues e não iria viajar 16 mil km para jogar bombas, sabendo que os negros dos Estados Unidos tinham direitos humanos negados. Sir Henry Cooper, boxeador inglês, fala no filme “se eu fizesse isso em 1944, e falasse que Hitler e o nazismo eram legais, era capaz de apanhar na rua”. Duvido que algum atleta teria peito para se posicionar desta forma hoje.

A verdade é que “Facing Ali” me ajudou a entender a razão de Muhammad Ali ser um ícone de uma geração. Claro, os tempos são outros, mas é impressionante ver como alguém tão jovem e ao mesmo tempo maduro e engajado. Neymares, Andersons Silvas e outros tantos até que poderiam aprender um pouco.

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Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

Comment (1)

  1. Carlos

    Eu acho melhor desistir de ver atletas com este tipo de pensamento hoje. É tudo cabeça oca mesmo.
    Ah, e não gosto de boxe, nem de MMA, nem UFC (são a mesma coisa?)…

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