9 de outubro de 2012 Felipe

Ciça

Ciça

Ciça

O domingo começou com uma notícia estranha. “Cabeça, assaltaram a casa do Celinho e assassinaram a Ciça”. Olhei pro telefone, pras louças na cozinha, respirei, pensei e respondi: “Bagas, fala de novo. Assassinaram a Ciça?” “Sim”. Merda.

Não era próximo da Ciça, mas ela é irmã de um cara que eu conheço desde os seis anos de idade. São 24 anos juntos, alguns mais próximos, outros nem tanto. Mas em um grupo de amigos que se conhece há tanto tempo, é lógico que existe um carinho e um respeito mútuos. E é isso que nos devastou quando ficamos sabendo do ocorrido. Afinal, em circunstâncias normais, um crime deste já me deixaria abalado. Quando a fatalidade acontece com gente próxima, é devastador.

No fim do domingo fomos dar um abraço no Marcelo. Antes dele chegar, a Alexandra contou o ocorrido e eu só ficava lembrando de um e-mail que meu Tio Ângelo mandou para minha mãe quando a Lourdes morreu. Ele falava: “Eu nunca soube muito bem o que dizer, tampouco o que esperar ouvir toda vez que perdi alguém muito próximo. Acho que muita gente se sente assim talvez por não haver mesmo o que possa ser dito além do prescrito pelas convenções sociais“. Foi no domingo que vi realmente como um abraço é uma das manifestações mais poderosas que a gente tem. A vontade de todos era de abraçar e não soltar mais. Não é preciso falar nada, tampouco o que é prescrito pelas convenções sociais. Basta abraçar.

O fato é que esses momentos servem ao propósito de nos fazer refletir sobre o significado de nossa existência, lembrar a fragilidade da vida e a sorte que é, no sentido estatístico, estar vivo como espécie e como indivíduo.

E no final é isso. Quando vemos alguém “furando a fila” e morrendo bem antes do “planejado”, percebemos que não há uma fila bem definida e tampouco planejamento. Dá uma agonia, um sentimento de querer fazer tudo ao mesmo tempo agora, porque pode ser que amanhã tudo acabe. Isto também é uma bobagem.

Com a Ciça, vai um pouco da gente também. No momento de tristeza e revolta, o que nos resta é dar apoio para quem fica, pro nosso amigo e pra família. É o que vamos fazer agora. Até pra mantermos a fé na vida.

Toda força pra vocês!

Em tempo, o objetivo não é tornar pública a dor de uma família. Isso todos os jornais já fizeram. Eu queria somente desabafar um pouco e demonstrar, mais uma vez, nosso apoio incondicional ao Celinho e sua família nesse momento.

Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

Comments (2)

  1. Talita Brandão

    Linda demonstração de amizade, cabeça.
    É exatamente igual aos meus sentimentos, porém com uma experiência no assunto um tanto quanto maior, mas igualmente confusa e solidária.

  2. angustiante… mas é tudo isso, na verdade minha reação de quando recebi a noticia, foi de prantos, desabei, foi muito instantâneo, talvez por ser pai, estivemos juntos com ela, celinho e amigos, no maleta, 2 finais de semana antes, o chapéu dela ainda está comigo… e eu só conseguia pensar no sofrimento do celinho, depois que li na internet que o celinho estava com ela na hora, cai em choro novamente, eu e mari, e o joao sem entender quase nada, ou nada mesmo!
    hoje joao, veio perguntar para a mari:
    “mamae, a irma do celinho morreu? porque?” dificil pregunta, resposta ainda mais difícil….

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