3 de maio de 2012 Felipe

Cabeça, ano 10

Dez anos do blog(Esse post vai ser um reflexo do blog hoje, um emaranhado de ideias minimamente conectadas)

Acho que já contei essa história antes. Era um dia que voltava da faculdade, provavelmente de carona com o Carlin e o Marcelo devia estar no carro também. Estava “morando” na casa da minha avó, enquanto nosso apartamento estava sendo pintado, num processo que deve ter demorado alguns bons meses. Saindo do carro, me deu o estalo de fazer um blog. Não tinha a menor ideia do que iria escrever, e como já disse, tinha certeza de que iria durar uns dois meses. Era 3 de maio de 2002, eu tinha 19 anos, estava no segundo período da faculdade e fazia estágio na Lazo. Entrei no blogspot, cadastrei um endereço e comecei a postar. O primeiro post foi esse aqui, de uma ingenuidade ímpar. Fiquei até fevereiro de 2003 no blogspot, quando migrei pra cá. Migrei também para o B2, que virou WordPress e aí estamos. (Se tiver curiosidade, esse era o layout logo que chegamos aqui).

Sem uma pauta bem definida, consegui levar o blog até a data de hoje, quando esse espaço completa dez anos. Acho que posso ficar orgulhoso, porque é tempo pra caramba. E nessa falta de pauta, o “Cabeça” acabou virando um reflexo virtual da minha vida. Logo nos primeiros anos, em uma época (bem) pré-twitter, cheguei a postar 80 vezes no mês. Muitos dos posts eram curtinhos, provavelmente com menos de 140 caracteres. Em outras épocas, foram poucos posts. Hoje, a média é de uns cinco por mês.

(Aliás, pausa. “Cabeça” sempre foi meu apelido e naquele momento chave de decidir um título pra cá, acabei recorrendo a ele. Nunca tratei esse espaço como “Cabeça” e sim como “o blog”. Estou tentando mudar isso nesse post, então esperem as duas coisas. Segue o jogo)

Juntando os posts curtinhos com os grandões, são 2.559 (contando com esse) e 8.924 comentários aprovados. Mais de 10% desses comentários estão no post “As Andorinhas”. Uma verdadeira bíblia sobre o Trio Parada Dura.

A quantidade de posts diminuiu, bem como as visitas e os comentários. As pessoas agora postam em outras ferramentas, principalmente no twitter. Ainda assim, tenho um frio na barriga sempre que vejo comentários novos, de gente que caiu aqui sem querer. Afinal, dos 2.559 posts, existem alguns que eu acho muito bons. Por exemplo, o dia que eu fiz uma reunião num motel. Outros são muito ruins e eu tenho vergonha de muita coisa que escrevi no começo. Ainda bem. Se não amadurecesse em dez anos, teria alguma coisa errada acontecendo.

Se fui inspirado pelos blogs do Caio, do Norte, do Tecno e do Ceió,  sei que o blog inspirou algumas pessoas no exercício da escrita, o que me deixa muito orgulhoso. Conheci algumas pessoas através daqui, o que é também é muito legal.

“No pessoal”, já diria o Faustão, o blog serviu de válvula de escape nas demissões, nos stress (stresss? estresses?) no trabalho, nas desilusões amorosas e nos momentos de tristeza. Também compartilhei ótimas notícias, como algumas viagens, o começo do namoro, a mudança pra São Paulo. Deixei de escrever muita coisa importante nos dois lados, seja por falta de tempo, ou porque no momento não achei que fosse relevante ou com medo da opinião alheia, o que é uma tremenda bobagem. Se tivesse realmente medo do que os outros vão achar do meu texto, era melhor mudar de profissão. (Momento de desenterrar todos os rascunhos).

Falando em profissão, nunca quis que esse blog fosse a minha. Fora um breve momento com o Google Adsense, esse nunca foi o objetivo. Aliás, nenhuma dessas linhas aqui foi paga, o que me deixa muito orgulhoso. No entanto, o blog me ajudou a descobrir que gosto muito de escrever e que essa sim é uma boa profissão. Criar conteúdo e falar sobre o que eu gosto.

Se me perguntarem porque ou pra quem eu escrevo aqui, vou confessar que não sei. Tenho a ideia de criar um espaço específico para falar sobre esportes ou sobre comunicação, mas tenho certeza de que não vai ser aqui. Gosto do blog desse jeito, desorganizado, sem muita pauta e sem amarras. E se no começo eu me peguei pensando “será que o Cabeça vai durar dez anos?” e “o que estarei escrevendo depois de tanto tempo?”, hoje não tenho essa preocupação. Se é ou deixa de ser um diário virtual, quiçá um caderninho de bobagens, pelo menos serve para me divertir e, espero, divertir os que passam por aqui. Que seja assim pra sempre.

Parabéns para nós! 🙂

PS: O Kaleb não sabe, mas roubei seu bolo de aniversário para ilustrar a postagem. Tinha “10” e “Star Wars”, então foi o vencedor fácil. A ideia era ser o bolo do Angry Birds, mas não achei. 

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Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

Comments (9)

  1. Paula

    Sem muitas delongas: parabéns, Felipe!!! Não só pelo blog, mas pelo seu texto, pela forma leve como você usa as palavras, pelo seu humor elegante e inteligente, sobretudo quando faz auto críticas. Parabéns e sucesso!!!

  2. Este é o Cabeção de Ouro que vale mairrrr do que dinheiroammmmmm! Lembro-me bem que, antes do termo “SEO” ser difundido, você era o primeiro quando se digitava “cabeça” no Google.

    Parabéns, e que você continue por mais anos ainda.

    Lembre-se:

    Nulla dies sine linea

    .

  3. Tenho orgulho de ter lido os 2.559 posts e conviver com você desde 2001. Grande amigo, que por muitas vezes escreve o que eu gostaria de ter escrito, que me ajudou e me inspirou a também ter um blog, que também completará 10 anos mês que vem.

    Que venham mais 10 anos, sem pauta, sem amarras. Parabéns, Cab´s!

  4. Roberta

    Que massa, Nenem! Parabéns pelos 10 anos de desabafo! Adoro seus posts! Beijos e sucesso sempre!

  5. Parabéns demais para você e seu blog, Cabeção.
    Muito orgulho de ser citado como influência para você, com a diferença que você escreve de verdade enquanto eu vomito letrinhas.

  6. Julio Bomfim

    Opa Felipe… não é todo blog que fica 10 anos no ar, hein? Parabéns pela marca e continue assim!

  7. Lívia

    De alguma forma bem pequenininha, me sinto parte disso e fico feliz.
    Que venham mais dez anos, porque não?
    Beijinho

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