23 de outubro de 2011 Felipe

Como Steve Gadd pode ensinar coisas pra além da música?

Steve Gadd | Foto: Musicradar.com

Acabei de ver a clínica (ou Master Class, como queiram) de Steve Gadd, um dos bateristas mais prolíficos do mundo. Já tocou com centenas de artistas, e recentemente esteve aqui com o Eric Clapton. Foi em um DVD do Clapton que eu vi Steve Gadd pela primeira vez.

Já um senhor de 66 anos, Gadd foi extremamente simpático na pouco mais de uma hora e meia de encontro e estava aberto às mais diversas perguntas. Numa boa, algumas respostas se aplicam em situações de trabalhos “não musicais”, observem:

Pergunta: Você grava com muita gente, dos mais variados estilos. Como transitar entre estilos, sem se atrapalhar?

Mantenha a cabeça sempre aberta, é o que eu faço. Chego pra gravar e escuto o que o artista tem a dizer e as músicas. Depois eu toco. E aí sim, eu falo. Primeiro você toca, depois você fala.

Ou seja, escute o que as pessoas tem pra falar, depois faça o trabalho e opine. Não é errado “imprimir” a sua marca no trabalho, essa é uma das razões para te contratarem. Mas primeiro é preciso ouvir e trabalhar. Em uma pergunta sobre solos, Gadd falou do silêncio.

Se eu fizer muito barulho, muito rápido, o solo fica chato. É preciso trabalhar as dinâmicas e também o silêncio. Às vezes, o silêncio é tão poderoso quanto muito barulho.

É uma releitura sábia das pessoas que falam demais, que já escrevi sobre aqui no blog e é um post que ainda faz sucesso. Não adianta, elas estão por todos os lugares e não entendem o valor do silêncio ou do tom certo. É pra se pensar.

Outro ponto legal foi sobre o processo de criação.

Tenho alguns rudimentos e gosto de criar em cima deles. Um mesmo rudimento pode servir para uma série de coisas.

Talvez não exista fórmula mágica no local de trabalho, mas ter um “manual” e/ou “ferramentas” sempre será útil. O profissional que tem as suas, certamente sai ganhando.

Mesmo longe das baquetas há um bom tempo, essa noite foi bem inspiradora. Primeiro pra relembrar como é legal ver um músico de classe mundial tocando e compartilhando experiências. Segundo, pra entender que é possível aprender com ele, mesmo estando em outra onda profissional. E o mais importante, ver como a paixão pelo que se faz é fundamental para se ter sucesso.

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Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

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