1 de agosto de 2011 Felipe

As cidades são para as pessoas

Um adendo. Acho que nunca antes na história desse blog eu dividi um post com alguém. Já cedi o espaço, se não me engano, mas dividir post nunca. Mas a indignação com a falta de compaixão é tanta, que eu e a Rúbia resolvemos escrever a quatro mãos. Pode ser o primeiro de muitos.

As cidades são para as pessoas. Acho que já cansei (ou cansamos, Rúbia? cansamos mas precisamos continuar Felipe!) de falar isso. Não sei a origem do termo, mas sei que as cidades nasceram de pessoas que se juntaram e começaram a dividir aquele espaço. Pensava-se em si e no outro, qual era a melhor saída e a melhor decisão para beneficiar a comunidade.

Divisão. Compartilhar. Cidades são para se dividir compartilhar. Mas não é isso que estamos vendo. Um sujeito é atropelado e morre na faixa de pedestres por uma motorista que andava desgovernada (disse ela na entrevista que perdeu o controle mas não estava correndo nem alcoolizada…) em altíssima velocidade em uma rua residencial. Uma moça morre porque às duas da manhã resolveu avançar o sinal e um sujeito, também em alta velocidade em uma rua residencial, bate violentamente em seu carro. Não vou entrar em mérito da marca dos carros e se donos de carros potentes gostam de burlar a lei. Coincidentemente – ou não – os carros eram grandes e potentes o suficiente para perder a noção dos direitos na rua e na vida. Mas esse não é o ponto principal.

O ponto é a falta de compartilhamento e de compaixão. Não sei se é por causa do stress, ou pela falta de um plano coerente de mobilidade, quem sabe é isso tudo junto e misturado, mas os motoristas de São Paulo – e geralmente das grandes capitais – não são muito cordiais nem entre si nem com os pedestres e ciclistas. É cada um por si e coitado se você for o mais fraco.

Olha gente, o Felipe começou falando de compartilhamento, que é essencial, e eu acrescentei sobre a compaixão – que anda de mãos dadas. Estamos esquecendo o verdadeiro sentido de vivermos juntos em um lugar que chamamos de cidade.

Mas pensem bem. É só no coletivo que as coisas se realizam e podem fluir, acontecer, seja numa empresa, seja na polis. Assim deve ser nosso comportamento, de compartilhar, de ter compaixão com aquele que está ali do nosso lado na faixa de pedestre ou na faixa de carro ao lado. Não é um sentimento pedante, mas de bem querer.
É juntos que podemos protestar contra motoristas cegos, justiça equivocada, planejamento mal feitos e reformas não cumpridas. Vamos pensar mais em como agir para o bem da coletividade e assim podemos colher os frutos de uma vida melhor. Para mais gente do que só você, só seu carro.

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Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

Comments (2)

  1. Gente, gostei do texto e fico pensando sempre nisso, já que morando nessa grande zona barulhenta que é SP. Mas como? Como conviver mais? Como compartilhar mais? Como se proteger dessa ganância que cega todo mundo e que faz com que os donos dos carrões (e dos carrinhos também) se sintam mais importantes que qualquer pedestre, cachorro ou sinal de trânsito (farol, né?)?
    Nada disso é retórico não, são dúvidas minhas mesmo.
    Vocês tem sugestões?
    Eu fico tão passada com essa pressa toda que não consigo nem aproveitar a agenda cultural dessa cidade. E tô particularmente desgostosa com todos os barulhos durante a madrugadam às 6 da manhã no sábado e às 2 da tarde no domingo. #pinico
    Beijos

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