27 de junho de 2011 Felipe

Surrealidade 3 – A velha na venda

Uma das vantagens de se morar em um bairro com cara de bairro é a variedade do comércio local. Na esquina de casa existe um mini-supermercado, que eu e Carol achamos parecidos com aqueles de Guarapari. Natália poderia jurar que ele foi teletransportado da saudosa Bologna, porém com donos japoneses e não paquistaneses, como é na Itália. Enfim, é daqueles lugares que vende de tudo, as prateleiras já foram bem cuidadas, mas tem a freguesia fiel, imagino que pelo preço e tempo de existência.

Eis que estou na fila do caixa e vejo uma velhinha entrar, junto com sua ajudante. Passos curtos e olhar perdido, que me parecem ser características de senilidade ou similar. Mal passa o caixa, a senhora solta a frase: “Olha, tomem cuidado por aqui, porque esses japoneses vendem coisas falsificadas!”. Silêncio, olhares desviados, vergonha alheia. A ajudante tenta calar a mulher, em vão. “O que foi? Estou falando a verdade. Eles são pequenos no tamanho, mas grandes na ganância”.

Fosse qualquer outra situação, alguém haveria de interceder a favor dos donos da loja, mas naquele caso seria em vão. A ajudante simplesmente pediu para furar fila, passou o leite e os dois cigarros e saiu, ainda tentando consertar a situação. Ainda deu tempo de sentir muita pena da idosa. Não deve ser fácil ser traída pelo cérebro.

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Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

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