11 de novembro de 2010 Felipe

A primeira impressão

Cachaça por Sheep'R'Us - FLICKR | CC-BY-NC-ND

Na semana retrasada tivemos uma reunião com uma importante agência de publicidade, que será responsável pelo desenvolvimento da campanha do grande projeto para 2011. E honestamente, pra mim, o primeiro contato entre agência e cliente é muito crítico, porque os dois lados precisam provar que existe um mínimo de bom senso e noção dos dois lados. Do contrário, um acha que o outro não presta. Resultado: A campanha vai ser uma bosta. No caso específico dessa reunião, as impressões foram as melhores possíveis. Mas nem sempre é assim.

Em 2004, eu e Cris Castro estávamos na Addx e fomos fazer a primeira reunião com um cliente, estreitar o relacionamento e coletar material para o futuro site. Detalhe, a reunião seria na sede do cliente, que ficava em Curral de Dentro, no Vale do Jequitinhonha. Segundo nosso contato, era fácil chegar lá. Bastava pegar um ônibus até Vitória da Conquista-BA e pedir para descer no trevo de Curral de Dentro, uns 20km antes da fronteira. Obviamente, fizemos tudo errado. Compramos a passagem para Pedra Azul, descemos em outro trevo e se não fosse por um taxista local, especialista em transportar os idiotas que descem no lugar errado, estaríamos lá até hoje.

Chegamos no cliente e não tinhamos a menor ideia da fria. A empresa era uma sociedade entre dois irmãos, que moravam na mesma fazenda, em uma casa geminada. E era uma relação Yin-Yang. Os dois estavam brigados e se completavam. Se um era grosso com a gente, o outro era a simpatia em pessoa. Pra piorar, as duas famílias também não se bicavam e uma das filhas (não me pergunte de qual lado, fazem seis anos!), diretora de marketing do conglomerado, defendia gifs animados do tipo “estamos em obras” e cartinhas voando em direção à caixa de e-mail. Em 2004 isso já era brega. O namorado da figura queria saber quanto a agência cobrava para fazer site sobre carros tunados*. Resumindo, o verdadeiro caos. Existia uma ilha de razão, no entanto. Um outro genro. Graças ao cara, conseguimos desenvolver bem o trabalho.

Finalmente, após dois dias de labuta, estávamos nos preparando para ir embora e, no almoço, Cris se distraí e me chama pelo apelido. “Então o Cabeça, digo, Felipe…” Foi a deixa para a constatação de que o bom senso passou longe. O irmão gente boa, empolgado com o momento, se aproxima e solta a pérola: “Ô Cabeça, então vem aqui comer cebola crua e tomar cachaça, pra gente peidar fedido!” Se bem me recordo, neguei gentilmente a solicitação. Sorte do Cris, já que partimos poucas horas depois, sem errar o ônibus, porém estarrecidos com o show de horrores.

Como projeto, o final é conhecido por quem já trabalhou em agências. Idas e vindas intermináveis, aprovações impossíveis e aquela ladainha de demandas que nascem atrapalhadas e terminam piores ainda. 🙂

*Fica o registro, carros tunados são bregas desde os sumérios.

, , ,

Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

Comments (3)

  1. Cris Castro

    É Cab´s…

    E você ainda conseguiu resumir bastante as nossas aventuras em terras distantes. Viva Curral de Dentro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *