4 de novembro de 2010 Felipe

Estado bom é só pros meus iguais

Mais um da série “Rascunhos Eternos”, esse post estava pronto desde o dia 2 de setembro. Faltaram alguns retoques e perceber que ele ainda é atual, principalmente após a onda recente de racismo contra o nordeste. Absolutamente qualquer post sobre o assunto é melhor que esse, mas sabe como é, queria dar meus dois centavos.

Cheguei em São Paulo no dia 31 de maio. Nesses três cinco meses, vi os dois lados da cidade. Desde o caldeirão de pessoas e culturas, que soam até clichê, até a parte do caos que é morar aqui: Metrô lotado, filas para qualquer coisa, péssima qualidade do ar, trânsito ruim. Em (óbvia) menor escala, vi isso nas duas vezes que visitei Londres e imagino que Tóquio, Nova York e outras megalópoles do mundo sejam semelhantes. Normal em cidades que concentram negócios, dinheiro e, consequentemente, pessoas. São seus ônus e bônus.

Utilizando do bom senso que me é característico, pensei que todas os paulistanos aceitavam bem essas diferenças. Mas me enganei. Li algumas atrocidades, inclusive de gente jovem (teoricamente mais “esclarecida”), contra os imigrantes de maneira geral. É uma coisa meio assustadora, porque nunca tinha sentido isso. Saber que algumas pessoas não te querem aqui, é bem chato. A justificativa gira em torno do governo do seu estado ou do seu país, que deveria te dar emprego e condições para ficar lá. Seja você mineiro, baiano, japonês ou boliviano. É uma lógica tão egocêntrica, que chegam a falar “não é preciso conhecer outras culturas e trocar experiências”.

Claro, estou falando do que vi aqui em São Paulo. Antes que me joguem pedras ou escrevam impropérios, é bem óbvio que cabecinhas fechadas existem no Brasil inteiro. Já saquei esse tipo em Belo Horizonte, por exemplo. Mas achava que eram vítimas do provincianismo belo horizontino. Acho que me enganei.

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Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

Comment (1)

  1. Uma vergonha essa onda de preconceito exarcebado. Eu sempre defendi tanto que o Brasil é um pais que nao é (ao menos nao tanto) preconceituoso e racista como os europeus. Mas agora vou ter que maneirar nas minhas opinioes. Triste isso. Estamos retrocedendo.

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