23 de março de 2010 Felipe

O fim

Lourdes e Bê

Eram 23h de quinta quando papai me ligou. Na hora eu sabia o que era, mas papai falou só pra dar a certeza: “Olha, tenho uma notícia triste, a Lourdes acabou de morrer”. Imediatamente, eu e Carol saímos do bar e fomos tomar as devidas medidas para o velório e enterro.

Apesar da tristeza, a sensação de alívio foi muito grande. Ninguém merecia sofrer daquela forma, tanto ela quanto a gente. Nos confortou muito a notícia de que a morte foi tranquila, diferente do quadro pintado pelo médico. E era egoísmo nosso, desejar que ela sobrevivesse nessas condições.

Lourdes foi uma guerreira nesse ano e meio de doença. Enfrentou tudo com alto astral e disposição fora de série. E nós vibramos juntos, a cada sessão de quimio e de rádio. Infelizmente, as coisas começaram a degringolar no começo de novembro, após a segunda fase da quimoterapia, quando o tumor no pulmão resolveu aumentar. No fim do ano, descobrimos que tinha ido para o cérebro e ai não havia muita coisa a ser feita. Resolvemos proporcionar bons momentos para ela desde então, até os dias finais, no hospital.

Além de tia, Lourdes era minha madrinha. E isso diz muito sobre a minha relação com ela. Ainda é difícil acostumar com a rotina, sem a tradicional ligação ou ida à casa dela. Estamos todos tristes, de luto, mas vai passar. Até ficar só a lembrança dos bons momentos e a saudade, claro. Obrigado, DiLourdi! 🙂

PS: A partir de agora, libero uns posts que escrevi e estavam privados. Estão todos dentro da mesma categoria. São palavras soltas sobre a situação e sobre o que senti.

PS2: Essa foto tem quase um ano, mas é muito bonita. Mostra ela junto com o Bê, meu priminho e, obviamente, sobrinho dela. A relação dos dois era muito peculiar e bonita.

Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

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