30 de novembro de 2009 Felipe

Como colocar adrenalina no seu jantar

Essa eu preciso compartilhar. Escrevi no blog, mas vale a pena demais colocar aqui também.

Sexta eu estava jantando com namorada, mãe, irmã e cunhado em um restaurante novo na cidade. Parrilla uruguaia finíssima, carnes e acompanhamentos ótimos, chopp Heineken, aquela coisa linda.

De repente, ouvimos um estouro de vidro. “Caiu um copo”, pensei. Quem dera se fosse. Quando eu olho para o balcão, vejo o garçom arremessando todos os objetos que estavam ao seu alcance em direção ao barman, que revidava com garrafas d’água. O balcão do boteco é em L. O de fora começou a contorná-lo, querendo entrar e – presumo – comer o barman de porrada. Como estávamos numa mesa na ponta do balcão, sem querer, ficamos na linha de tiro do barman, que por centímetros não acerta a minha irmã com uma garrafa. No meio desse fogo cruzado, duas garçonetes se abaixam assustadas, os outros garçons olham incrédulos e ninguém entende nada.

Cerca de 20 segundos depois, a turma do deixa-disso entra e apazigua a situação. O gerente, um uruguaio gente boa e de fala mansa, mesmo estupefato demite somente o garçom e as coisas voltam à “normalidade”. Enfurecido, peguei a garrafa, fui em direção ao gerente. Garrafa em riste, sangue nos olhos, cheguei falando “Olha só, minha irmã quase foi…”. O sujeito me interrompeu na hora com uma voz suave, cheia de vergonha: “Me desculpe, senhor, me desculpe”, tomando a garrafa da minha mão como um negociador tira a arma de um meliante. Fiquei sem ação! “Minha irmã quase foi acertada por essa garrafa, que estou devolvendo para vocês”, foi como completei a frase, sem graça.

De fato, a comida do local realmente é boa, porque nenhum cliente resolveu ir embora. Como prêmio de consolação, o uruguaio foi em todas as mesas oferecendo uma caipirinha como cortesia. Minha mãe, inocentemente, quis trocar a cortesia pela razão da briga, mas o cara deu uma resposta evasiva. Ficamos sem álcool e sem entender nada.

Quanto ao demitido, ele simplesmente trocou de roupa, atravessou a rua e ficou no bar em frente, esperando para resolver o problema. Acho que terminou de forma pacífica. Pelo menos não vi nenhuma marca de sangue, tiro ou nota no jornal no dia seguinte.

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Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

Comments (2)

  1. Mateus

    Putz… Acho que é mal deste bar. Outro dia fui nesse mesmo bar “da vaquinha”, que eu tb recomendo, e por alguns minutos não presenciei um assassinato bem na esquina. Tá precisando benzer esse uruguaio.

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