30 de março de 2009 Felipe

Primeira semana de bicicleta

Bike pronta, equipamentos de segurança comprados, chegou a hora de enfrentar o trânsito. A semana passada foi a primeira como ciclista urbano. Por sugestão do Ícaro escolhi um caminho menos movimentado para sair de casa, no Sion, e chegar até o trabalho, próximo ao colégio Izabela Hendrix, em Lourdes. Desço a Av. Uruguai ou a Rua Califórnia e sigo pelas ruas Major Lopes, Viçosa, Alagoas, Fernandes Tourinho e Espírito Santo. Um caminho só de descidas e relativamente tranquilo. A volta não tem jeito, subida (toda a rua Grão Mogol e Uruguai) e muitos carros.

Aproveitei para me informar melhor no dia que peguei a bicicleta no conserto. O mecânico, um cliente e um bike boy me deram algumas dicas. A primeira não andar tão perto do meio-fio, de modo que os motoristas precisem desviar de você, sem no entanto comprometer o trânsito.

Dia 1 e um pouco de medo. Desço pela Uruguai, por volta das 8h50. Nenhum risco, exceto pelos motoristas menos desavisados, que abrem portas sem olhar. Nenhum problema como motoristas de ônibus e taxi. No momento crucial da jornada, o cruzamento da Nossa Senhora do Carmo, resolvo ficar um pouco a frente dos carros e começar a pedalar quando o sinal de pedestres fica piscando. Além disso, aceno freneticamente com o braço que vou seguir reto e não dobrar à direita. Deu certo! O motorista que vinha atrás de mim ainda me deu um auxílio. Tempo total de viagem: 13 minutos. Para efeito de comparação, demoro dez para vir de carro (mais 15 minutos, com boa vontade, para achar uma vaga). De ônibus, são uns 15 minutos, dependendo da hora que chego no ponto. A volta foi mais cansativa, e um pouco tensa. Muitos carros na rua não são um bom sinal. Consegui vencer os carros, os morros e o cansaço e cheguei em 27 minutos em casa, mesmo tempo que uma colega de trabalho, que mora quatro quarteirões antes da minha casa e voltou de ônibus. Durante a semana, consegui baixar esse tempo de volta para cerca de 20 minutos, graças à um ritmo melhor de pedaladas, além do condicionamento físico.

Alguns outros pontos me chamaram a atenção durante a semana, são eles: Não fui xingado nem ofendido, o que mostra uma atenção maior dos motoristas em relação aos ciclistas. Inclusive, um motorista de ônibus me deu passagem! O ponto negativo ocorreu logo depois dessa gentileza: um carro com três imbecis falando “Você vai cair!”, “Olha o ônibus, otário” e outras sutilezas. Uma pena.

O saldo até agora tem sido positivo. É legal ver a cidade e o trânsito de uma outra forma. E os morros não são o fim do mundo, basta rodar no seu próprio ritmo. Aos que tem condição (moram perto do trabalho, por exemplo), recomendo que adotem a bicicleta como meio de transporte!

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Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

Comments (6)

  1. Legal! Eu continuo sonhando com o metrô Serra-Belvedere, já que subir a N.S. do Carmo inteira (principalmente ANTES do trabalho) não é pra mim. E meu caminho é o contrário do seu, a volta é que seria tranquila.

    Sendo assim, lá vou eu tirar meu beberrão (7,5km/l quando tá de boa vontade, e não é flex) da garagem todos os dias…

  2. Victor Westmann

    Legal. Eu gostaria de ir pro trabalho de bike também… mas também fico preocupado com minha segurança antes de tudo. Muito bom o artigo. Espero que apareçam outros descontraídos e informativos como este. 🙂
    Abraço e boa sorte.

  3. Pingback: Basta um | Cabeça

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