11 de março de 2009 Felipe

Sobre exames de sangue e internet

Quando trabalhava com “comunicação e marketing dentro em uma indústria que produz e comercializa reagentes e equipamentos para diagnósticos in vitro”, era bastante comum eu precisar explicar o que era o negócio. A explicação mais fácil e eficaz era “você já fez um exame de sangue? Então, a gente faz o que pinga na amostra e a máquina que analisa isso”. O entendimento era imediato, não pelo processo, mas pela famialiridade com o assunto.

Hoje trabalho em uma agência que basicamente faz “arquitetura de informação e pesquisa em ambientes digitais”. Obviamente isso é tão complexo quanto “diagnóstico in vitro”, por isso simplesmente respondo “trabalho com internet”. E essa foi a minha resposta ao porteiro novo do meu prédio. No entanto, sua resposta me deixou momentaneamente de queixo caído: “E o que é isso?”. “Ah, é… assim… compu… computação”.

Até aquele exato momento a minha ficha não tinha caído. “Todo mundo hoje está na internet”, frase batida pregada pelos profissionais do nosso meio não se aplica. Sim, as classes C, D e E estão cada dia mais presença na web, principalmente com os jovens, mas talvez a faixa acima dos 35 anos esteja fora dessa inclusão.

O curioso que a senhora que trabalha lá em casa sabe o que é internet, nem que seja de maneira abstrata. Eventualmente me pergunta se posso pegar alguma receita da Ana Maria Braga ou achar alguma informação para ela. A referência para os dois deve(ria) ser a mesma: o Jornal Nacional e Super (ou qualquer outro jornal de 50 centavos), que sempre citam a internet em suas matérias. Mas parece que o buraco deve ser mais embaixo.

A única conclusão que consegui chegar é que, incrivelmente, as pessoas conhecem mais sobre diagnóstico in vitro do que sabem sobre internet. Algo muito mais complexo e muito mais próximo ao mesmo tempo. Será que isso serve para direcionar alguma ação futura online?

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Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

Comments (3)

  1. Guilherme

    Pode significar que as pessoas estão sempre doentes ou pesquisando tudo, num suporte financeiro aos laboratórios.

  2. Bruno

    “comunicação e marketing dentro em uma indústria que produz e comercializa reagentes e equipamentos para diagnósticos in vitro”. Sem comentários, hahahaha.

  3. Pra alguma coisa serve: saber qual publico definitivamente você não consegue atingir através da internet. Nem tudo se perde…

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