29 de janeiro de 2007 Felipe

Cadê a cerveja no Mineirão?

Após longo e tenebroso inverno – período em que meu Cruzeiro não conseguiu engrenar em uma série de bons jogos e vitórias – resolvi voltar ao Mineirão no sábado. Aproveitei para levar meu priminho que tardiamente, aos dez anos, fez seu debut no estádio. O jogo foi Cruzeiro e Guarani de Divinópolis, válido pela segunda rodada do Campeonato Mineiro. Parecia a oportunidade perfeita para levar o menino ao Mineirão, já que a previsão de público era de cinco mil pessoas.

Porém era o primeiro jogo da equipe em Belo Horizonte no ano. Some isso a conquista cruzeirense da Copa São Paulo de Juniores durante a semana e temos torcedores com motivação suficiente pra irem em um número muito maior. Resultado: zona para comprar ingressos. Filas interminavéis, tumulto, desrespeito. Ingressos sendo confeccionados na hora e em prestações. É sabido que a administração Perrella não gosta de jogar dinheiro fora. Pensando assim, seria impensável pra eles gastar em vão R$0,53 referentes ao custo do ingresso que talvez não seja vendido. Mas é melhor gastar essa grana do que deixar de ganhar R$15,00 do torcedor que comprou e entrou no campo.

Enfim, passado esse drama, ingressos comprados, jogo rolando e o verdadeiro objetivo desse texto: a realidade do Mineirão sem cerveja. Parece que para coibir a violência, proibiram a comercialização de bebidas alcóolicas não só dentro, mas nas redondezas do estádio. De fato, o Mineirão me pareceu mais ordeiro e calmo. Contudo, o tradicional feijão tropeiro perdeu um pouco da graça. Os torcedores nas arquibancadas e no rádio clamavam pela volta da cerveja, alguns argumentavam que “só os marginais bebem e causam confusão”. Será? Acho que não. Segundo estatísticas, a esmagadora maioria dos atendimentos médicos feitos no estádio são decorrentes de excesso de álcool. Nesse universo, outra avassaladora maioria são de pessoas que se machucaram sozinhas, caindo, tropeçando, etc. E as brigas, por incrível que pareça, são poucas.

Conclusão: Quem briga no Mineirão é porque foi com essa finalidade. Isso é coisa de marginal. Por outro lado, se a polícia teve menos trabalho e o posto médico também, é sinal de que a falta de cerveja contribuiu para a ordem. Contudo, como bem me disseram “Mineirão não é convento”, logo, caberia o álcool ali. Mas, o que é mais importante, o futebol ou a cerveja? Quer dizer, o cara vai ao campo pra assistir o jogo ou vai para tomar várias latas e de quebra assistir uma pelada?

Ah, o placar foi 4 a 0 para o Cruzeiro. 😉

Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

Comments (6)

  1. Caro amigo Cabeça,

    Sabe minha opinião sobre futebol né?

    Não tenho aca contra o esporte, mas os subprodutos gerados por ele são muito paias.

    Barulhos esurdecedores depois do jogo que atrapalham torcedores do time adversario e gente que nem gosta de futebol de seguir seu sono, trabalho ou outras atividades.

    Violência que não atinge apenas os envovlidos no espetáculo, eu morava na papulha e algumas vezes passei por arrastões e atos de vandalismo em grande escala a carros, comercio local e tudo aquilo que estivesse na frente. Já vi primos meus, pessoas geralmente muito calmas se transformarem em monstros após uma “cervejinha” e uma “provocaçãozinha” d eum torcedor do outro time.

    Ja vi um senhor de uns 50 anos ser espancado por torcedores do cruzeiros em frente ao seu filho de uns 10 anos que gritava em desespero. E os que batiam não eram em maioria malacos, tinham uns playboyzinhos e até pessoas na faixa de uns 30 anos de boa aparencia, mas para mim, todos “marginais”.

    Ocorrências policiais (mesmo após o jogoe fora do estádio) que relatassem a participação de torcedores em brigas ou outros atos de violência deveria gerar compo neutro por pelo menos 2 partidas para seu time e todos os outros torcedores deveriam saber seu nome e seu rosto para ele deixar de ser bobo.

    Infelizmente 90% dos torcedores são seres despreparados que ainda precisam de alguns séculos de evolução para que possa absorver sua droga durante os jogos, penso que alguns deveriam ser proibidos de assisti-los mesmo sem a cerveja.

    Drogas não são problemas para uma sociedade, mas pessoas desajustadas usando drogas são problema em dobro.

    A violência dentro de campo tem penas muito brandas e permitem que jogadores que recebem muito bem pelo trabalho que fazem a dar péssimos exemplos a crianças e jovens. Um jogador que agredisse outro durante o jogo, deveria ter uma multa absurda e além de ficar pelo menos 6 meses sem jogar, podia ser obrigado pedir desculpas em cadeia nacional para seu público.

    Quanto ao esporte em si,é um espetaculo sim. Ver um jogo limpo é muito bacana.

    Mas que o futebol é um esporte que incita roubo e corrupção por natureza, é fato, basta ver um jogador que claramente faz uma falta, levantar a mão se eximindo da culpa e tentar enganar o juíz, isso já deveria render um cartão vermelho por falso testemunho….hhehehehehe

  2. Tiago Augusto

    Meu amigo, na atual conjuntura do futebol mineiro, e nisso incluo o meu Galo, o seu cruzeiro e todos os outros clubes… Mineirão está muito mais pra tomar umas cervejas e de quebra ver uma pelada (meia boca).

    Numa boa, puritanismo no estádio tenha dó. Sinceramente, o que vai aumentar é o consumo de drogas dentro do estádio (o que já era comum!) e aumentar o consumo antes do jogo. Isso sem contar a perda que o negócio tem sofrido, afinal, os bares que antes tinham 10 pessoas, hoje não passam de 2.

  3. SIlvana

    Humm, não dá pra selecionar quem é e quem não é predisposto a tranformar-se em “monstro”, em circunstâncias x ou y, sendo tal metamorfose potencializada pela bebida ou droga x ou y.
    Afinal, um estádio de futebol é frequentado por grupos diversos de pessoas com objetivos diversos, também.
    A inciativa de transformar o lugar num “convento”, presumo eu, é uma forma de atingir, pelo menos, UMA das causas da violência, e prestigiar aqueles que vão na intenção de ver um bom futebol (ou uma boa pelada, sei lá).
    Não é a solução, mas…é uma boa tentativa…

  4. Eu sou a favor de não ter cerveja.
    O povo que vai para brigar vai com essa finalidade, concordo. Mas quem vai beber também vai apenas com esse objetivo: beber e ficar em pé na frente de quem quer assistir.
    E o foco ali é justamente ver o jogo, não ver nego descontrolado, cambaleando, atrapalhando e bagunçando o recinto.
    A cerveja é apenas um coadjuvante. Se isso afasta os “torcedores” do campo,é sinal de que a máscara dos simpatizantes começa a cair. Os botecos não fecharam. Se não beber é tão difícil assim, o estádio então não é o local adequado para esse público que reclama.
    Aliás, tem que proibir aqueles ambulantes no meio da galera também. Eles nunca me deixaram ver um gol sequer.

  5. Ricardo

    Acho simplesmente impressionante como todos resolvem aderir ao esquema (que melhor convenha a nós). Eu gosto de beber, amo meu Galo, sou apaixonado pelo Mineirão. Gosto tanto de futebol que tenho cadeira cativa anual. Para mim, um futebol com cerveja é como praia e cerveja, samba e cerveja, etc…

    Se você nao gosta de tomar uma enquanto assiste a um jogo, nao compre. Se alguém fica levantando na sua frente, ou vai para a cativa, ou peça educadamente. Torcedor nao levanta do banco e fica em pé por conta da bebida alcoolica, e sim, pela ansiedade e apreensão pelo time (ou raiva do juiz). Se formos olhar, eh mais facil ele sentar por conta od alcool, bebado demais – Risos!

    Esta solução de cortar a cerveja dentro do campo não passa de uma desculpa barata da Policia Militar, entre outras entidades participantes, de diminuir o número de torcedores no campo, reduzindo o trabalho necessário dos seus policiais, e desculpando a falta de profissionalismo e a péssima atuação dos mesmos durante jogos. É simplesmente impressionante!

    Para mim, eu gostaria muito de saber onde podemos fazer um abaixo assinado, revogando esta decisão, ou até pedindo reconsideração dos responsaveis pela medida em questão. Na Alemanha, durante a Copa do Mundo, cerveja era cervido a rodo, tanto dentro como fora dos estádios. Em todo show de musica no mineirão, cerveja não é problema, e brigas, são bem maiores que durante um jogo.

    Nao podemos mesmo culpar a irresponsabilidade e malandragem de vagabundos e foras-da-lei na cervejinha que a grade maioria admira.

  6. Gosto do Mineirão, de bons jogos e adoro cerveja! Não tenho ido ao Mineirão por causa de vandalismo e violência! Acho que os verdadeiros amantes de um bom jogo de futebol e que gostam do MINEIRÃO não irão se importar tanto pela falta da loirinha no campo! Boa medida! No mais, pode-se tomar cervejas depois comemorando ou lamentando a performance do time. Não é?
    Chata, mas necessária a medida! Tira empregos e rendas de pessoas mas preservam vidas e integridade física de muitos e ainda evita vandalismo. Então do mal, menor e o melhor! Que assim seja, sem cerveja!
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