22 de agosto de 2004 Felipe

Medo

“(…) essa soma não dá US$ 1 milhão. Dá US$ 1 mil”, gritou-me Adam do outro lado da linha. Eu gelei. “Paulo, tem jeito?”, perguntei. “Não”, cravou-me ele, friamente. “Já rodamos 1 milhão e 200 mil capas. E jogar fora 1 milhão e 200 mil capas é um prejuízo impagável (hoje cerca de R$ 100 mil). Podemos, ainda, mexer no texto dentro da revista – mas isso vai atrasar a remessa para o Rio de Janeiro e para o interior de São Paulo”, advertiu-me ele. “Vê se consegue, em dez minutos, alguém para sustentar em on essa dolarização de US$ 1 milhão”

A capa da edição passada da Istoé me deu medo. Medo de saber que a profissão que escolhi pode realmente acabar com a vida de uma pessoa. Medo de saber que o mau jornalismo é praticado, mesmo no maior (e comprovadamente pior) semanário nacional.
Pra mim, talvez pior do que o erro por falta de apuração (vide Escola Base em SP), é o erro por interesse, como nesse caso do Ibsen. O diretor-executivo de Veja resolveu “bancar” o erro, comprometendo também o jornalista responsável pela matéria. Esse tipo de coisa desanima, principalmente quando penso no ideal de fazer jornalismo correto e imparcial. Do que adianta você praticar a imparcialidade ou ser ético, quando um chefe de redação ou um diretor pode “adaptar” sua matéria, para adequar aos interesses do meio?

Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

Comments (3)

  1. Jornalismo é uma profissão na contramão do capitalismo.
    Não é possível conciliar utilidade pública, direito à informação com interesses financeiros/comerciais.
    talvez possível, mas, no momento, totalmente improvável, já que os interesses são máxima e não vão sair desse grau de importância tão cedo…

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