7 de maio de 2017 Felipe

Sobre preocupar e gostar

Post altamente modificado depois de conversas e releituras. Deixei a primeira parte como estava e construí o resto depois. Me pareceu o correto.

Há pouco mais de um mês, eu comecei a fazer terapia. Só essa decisão já daria um post. Fui para resolver algumas coisas que eu tenho na cabeça: inseguranças, angústias e questionamentos. Depois de cinco sessões e a ida pro divã, a impressão que eu tenho é que entrei em um túnel super apertado e fui parar numa câmara gigante, cheia de coisas para serem observadas e ligadas. Isso tudo também dão posts. Talvez esse seja o primeiro deles.

Nessas ligações e livres associações, comecei a pensar numa coisa interessante: uma equação complicada quando misturamos empatia, preocupação com os que nos rodeiam e como entendemos que a vida deve ser.

Na primeira versão desse post, eu pensei o seguinte:
Quando pensamos nas pessoas que mais gostamos e nas decisões que elas tomam em suas vidas, é natural que a gente não concorde com todas elas. Aí ou a gente se preocupa ou tenta mudar aquilo, baseado nas nossas afirmações. Ficar preocupado já é um problema, porque te desgasta, te cansa, te faz pensar nas soluções para aquela situação. E aí, fiquei pensando: quantas dessas preocupações são legítimas? Digo, as outras pessoas sabem/se importam com as suas preocupações em relação às decisões de vida delas?

Por outro lado, o quanto “gostar” não está relacionado à “se preocupar”? Esse me parece ser o maior desafio. Entender que não se preocupar com as decisões não significa não gostar. Tem um quê de livre arbítrio e resiliência aí, imagino. Mas é inócuo se preocupar se a pessoa dorme cedo/tarde, quais as decisões que ela tomou para a sua carreira, o que ela vai comer hoje, mas se ela está feliz, se isso não mexe na nossa vida, não faz sentido se preocupar. E isso não significa que você não tem carinho por essa pessoa. Talvez esses sejam os dois limites: felicidade e interferência em nossas vidas. Não dá para apoiar um relacionamento abusivo, algum comportamento que coloque a vida do outro em risco ou decisões que efetivamente nos sejam invasivos. Até que se atinja esse ponto, acho que é possível manter a separação.

Não tô dizendo que é fácil. Um nível mínimo de humanidade nos faz cuidadosos com quem gostamos e isso traz a preocupação, mas tentar furar essa bolha pode ser um exercício interessante de empatia e de tentar enxergar diferentes visões de mundo. E mais importante, pode ser um caminho para entendermos os nossos próprios dilemas e prioridades e acharmos (se for possível) a nossa própria felicidade.

Porém…

Depois de alguma reflexão, vi que isso tudo é muito egoísta. É importante pensarmos em nosso bem estar, em nossa felicidade. Mas enquanto espécie, só chegamos até aqui porque nos preocupamos um com os outros. Aliás, trabalhar em conjunto e viver em sociedade foi o que acelerou a nossa evolução. Talvez, essa preocupação é sinal de empatia, de que nos vemos no outro e que o seu bem estar também é o nosso bem estar.

Talvez, o que a gente precise é de um pouco mais de atenção e saber ouvir. Estamos tão preocupados com nós mesmos que deixamos de prestar atenção na resposta que vem de um “tudo bem?”. Aliás, na maioria das vezes não estamos nem perguntando se está realmente tudo bem, só cumprimos uma formalidade para receber outra de volta. É valioso quando o “tudo bem” vira um “vai melhorar” ou “estamos caminhando”. Sinal de que a pessoa do outro lado tem empatia com a gente.

Delimitar “espaços” tem sido um dos meus maiores questionamentos na vida. O que devo fazer e falar para ter o meu espaço respeitado e respeitar o do outros? Uma análise rasteira me fez escrever a primeira parte desse post. A conclusão de fato passa por se preocupar com o outro, mas sem “cagar regra” na vida deles. (E eu juro que não queria usar esse termo, mas ele é perfeito).

Como achar esse balanço? Bom, eu ainda não sei ao certo, mas acho que um dia chegaremos lá.

Trilha do post:

Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.