31 de dezembro de 2018 Felipe

Qual é a sua?

Esse ano eu escrevi muito pouco aqui. Tem uns posts espaçados, tem vários outros pedaços de texto morando na aba “Rascunhos”: sobre a vida, sobre política, sobre trabalho. Um bando de coisas que ficaram pela metade na correria da vida. Em alguns momentos, comecei a escrever só pra não perder a ideia, em outros, me perdia na ideia e achava melhor continuar depois. Mas na maioria das vezes, eu achava que o material estava uma bosta, que as pessoas não iam gostar, que seria exposição gratuita.

É difícil saber o que essa “correria da vida” significa. Pode ser que estamos sendo engolidos pelo cotidiano, pode ser desculpa para não sair de casa. Pode ser a desculpa para algo abstrato. No meu caso, um pouco de tudo. A abstração foi tentar entender “qual é a minha?”

Não raro, minhas sessões de análise em 2018 foram para tentar entender porque me meço pela régua dos outros, porque vejo tudo o que eu faço pelo olhar dos outros e o quanto isso me impediu de andar pra frente.

É a segunda temporada daquela história das conversas difíceis que falei no fim do ano passado. Descobrir “qual é a minha” está sendo uma conversa difícil e que tem trazido alguns avanços.

Passa por correr um pouco de risco, ser mais seguro das escolhas e mostrar mais o meu trabalho, dentro e fora da 42formas. Pra mim, isso vem com uma dose de egoísmo, do tipo “não interessa o que os outros pensem, eu fui lá e fiz”.

E fiz coisas, sem dúvida nenhuma. Em 2018, eu:

Participei pela primeira vez do Crossfit Open. Cinco semanas de exercícios do capiroto. Mais do que me expor em uma “competição” ainda tive que juntar coragem e fazer o 18.3 em Austin. Eu que nunca tinha pisado num box sem ser o Vila Madá, precisei achar um box fora do Brasil. Era mais importante enfrentar esse medo do que não fazer um dos exercícios.

Fiquei em último no ranking masculino do meu box e também na rabeira do quadro mundial, mas não teve a menor importância. Descobri que praticar esse esporte tem sido fundamental para entender como minha cabeça funciona. De quebra, conheci pessoas incríveis e que sempre estão dispostas a ajudar.

Consegui colocar uma palestra no SXSW. Depois de três anos participando, juntei coragem, pessoas boas do meu lado e consegui aprovar a minha proposta de painel. Pra quem morria de medo de se expor, tá aí uma vitória.

Entendi a minha relação com o Instagram. E com quem eu sou, no geral. Foi onde comecei a entender como dou excessiva importância para o olhar do outro sobre mim mesmo. Coloquei as coisas nas caixinhas, entendi que a comparação é a ladra da alegria e que é possível ser menos duro com nós mesmos.

Fui mestre de cerimônias no Roadsec. Resolvi ser o cara de humanas num evento de hacking e segurança da informação. Eu não tenho nem palavras para agradecer a confiança da turma da Flipside no meu trabalho. Foi uma experiência super divertida e completamente fora da zona de conforto e que estou louco para fazer de novo.

A 42formas cresceu e venci alguns medos. Tivemos um terceiro par de mãos na firma, primeiro com o Caco, depois com a Isa. Entregamos alguns projetos super legais, passamos outros perrengues e eu superei o medo de cobrir o Marcos durante sua licença paternidade. Cada um é um e isso não significa que um seja melhor do que o outro. Demorei para sacar isso, estava cheio de medos e achando que o mundo ia acabar durante esse período. Quando vi, já estava acontecendo e não doeu.

A música me trouxe muitos aprendizados além da música em si. Sobre mim, sobre as dinâmicas de grupo, sobre feedbacks.

Eu me redescobri em 2018, tenho aprendido a olhar pra dentro e também tenho a certeza de que eu não ando só. A gente é também a soma das pessoas que estão ao nosso redor e que nos dão a chance de aprender com elas. Esse ano foi uma prova disso também.

Sei que 2019 não vai ser um ano fácil. A conjuntura do país vai pedir muita calma e uma dose de fé, mas não dá pra perder as esperanças e desistir. Eu quero fazer o melhor possível, saber fato qual é a minha. Acho que vou conseguir.

Feliz ano novo!

(Perdão pela falta de links e fotos. Escrever no celular não é fácil!)

Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.