16 de junho de 2006 Felipe

As noites bombantes

Após o jogo do Brasil, Gunni, senhora do Gomides, resolveu ir até o Palladium, boite localizada no segundo andar da Hauptbahnhof de Freiburg. “O que rola lá?”, perguntei. “Salsa”. Sim, os alemães adoram salsa. E o Palladium é o lugar onde os bons dançarinos de salsa frequentam.
Se a) não estivesse enfermo, b) a galera não dançasse tanto, c) as mulheres não fossem tão altas e gostosas, d) falasse alemão e e) não fosse zerola, teria bombado naquele lugar. Todos dançam relativamente bem, mas a maioria com uma cara de enfado. Identifiquei três caras que eram incríveis. Um negrão, certamente africano, que dançou com todas as mulheres locais e dois caras que pareciam dançarinos da Britney Spears ou algo que o valha. Um com camisa xadreza, boina e munhequeiras, dançava se tocando e movimentando a boina. E o outro, alemão, todo de branco e com um grande lenço na cabeça. Saímos de lá e acompanhamos Gunni e sua room-mate, Kerstin, uma alemã igualmente alta, alva e loira, mas completamente maluca, até o Jackson Pollock Bar.
Jackson Pollock Bar fica dentro de uma galeria, perto da melhor sorveteria da cidade. Local bizarro. Primeiro o nome, afinal de contas, ninguém em perfeito estado mental batizaria um pub com nome tão ímpar. Ah, ele é todo decorado em azul, com luzes azuis. Parece ser onde os imigrantes dançam salsa. Logo, haviam milhares de centro-americanos e africanos dançando muito bem. Até então, ótimo. Mas rolavam alguns momentos de salsa erótica, por assim dizer. No meio de quatro africanos, uma croata e uma brasileira, que curtiam serem encoxadas por todos esses africanos, às vezes simultaneamente, às vezes alternadamente. Uma coisa surreal, até para os “nossos” padrões. Nessa altura dos acontecimentos, a room-mate, completamente “borracha”, já era amiga de todo o buteco, fugia das investidas de um chicano com camisa do Brasil e tentava me contar casos em alemão e inglês, onde, obviamente, eu só entendia as partes no idioma que eu me comunico. Depois disso, dei a noite por encerrada.
Nas noites seguintes, conheci outros dois locais incríveis. O primeiro, apelido carinhosamente de Infernito, talvez Gomides poderá escrever o nome aqui. Um local de poucos metros quadrados com vários alemães dançando suados. Em Freiburg, faça como os locais. Fui dançar suado também. Coisa linda de Deus, devo dizer, o suor chucrute calibrado com altas doses de cerveja, resultado da vitória sobre os poloneses. De lá, fomos para a Karma, boate um pouco mais arrumada, único lugar onde pagamos para entrar (€3). Conseguimos colocar umas alemãs para dançar a “dança do cotovelo”. Maravilha.
É uma pena que a máquina fotográfica tenha ido de Paris diretamente pra Londres. O que não ia faltar era assunto pra foto.
Vou pra Munique logo mais. Volto na segunda pra cá e sigo terça pra Londres.

Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

Comments (3)

  1. Gui

    Bicho, da vontade de chorar. Trouxe a maquina pra ficar aqui na gaveta enquanto voce viaja pela Alemanha sem tirar foto. Tenta emprestar uma po! Talvez em Munique?

    Anyways, quando vc chegar aqui a gente tira foto pra dar com pau! Foi mal pelo vacilo!

  2. Rubia

    entre a, b, c, d, e; a única válida é a primeira, e mesmo assim, só pra atenuar o bom baile que a sua pessoa, uma vez já dançarino, mostraria em terras germânicas!
    .
    compra uma maquina descartávelF!!!!!!!!!!!!
    no mais, adorei relatos pela night de freiburg

  3. gomides

    mayhem!

    o Infernito chama-se Tacheles. e a amiga da Gunni chama-se Kerstin. e agora você tem que falar sobre a noite final com a venezuela mignon, a espanhola sedutora, o puto espanhol, os holandeses zerolas, a entrada tumultuada na boate Glamour, a golo pago para os americanos, o grego boiola e os hits alemaes que carburaram a noitada.

    e quero pelo menos uma pequena mencao ao Benjamin, que é digno de nossa atencao.

    beijos, boa viagem, bom retorno.

    gomides.

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