24 de abril de 2006 Felipe

Adeus, Telê

Do fundo do coração, eu espero que a morte de Telê Santana sirva de inspiração para os técnicos “de beira de estrada” desse Brasil de Deus. Técnicos que defendem a tal “falta tática”, aquela pra parar o jogo, ou que falam pro zagueiro bater, afinal de contas, o drible é uma firula do futebol. Falo isso, porque junto de Telê, vai o último suspiro do futebol bonito. Não peguei muito da carreira do treinador, mas lembro perfeitamente do São Paulo de 1992/1993 e VTs dos jogos da Seleção de 1982. Simplesmente incrível a maneira como os times jogavam. Na verdade, eu acho que Telê era um dos últimos representantes da velha guarda do futebol. Não sei se é nostalgia, mas eu tenho a impressão que no seu tempo o futebol era mais ético, mas bonito e mais apaixonado. Não tinham tantas desculpas, nem tantos termos “técnicos” para algo simples. Simples como os fundamentos que Telê gostava de treinar.
É uma pena, mas vida que segue. 🙁

Não quero nem comentar a atitude da torcida do Cruzeiro hoje, que ignorou o minuto de silêncio dedicado ao mestre para continuar cantando gritos de menor importância.

“Me lembro, nessa hora, do nosso vestiário depois da derrota para a Itália no estádio Sarriá, em 82 (Copa da Espanha, Itália 3, Brasil 2).

Estávamos todos mortos, espalhados pelos bancos, uns chorando, outros tristes, pensando na imensa dor do pobre povo brasileiro naquela hora; a nossa dor, a minha dor, era a dor pelo nosso povo, é a dor que sinto agora quando Telê se foi. E me lembro, imagem por imagem, dele naquele momento. Foi uma surpresa a reação dele.

O rosto dele estava sereno, havia paz nos seus olhos. Ele foi de um em um, um olhar forte e profundo, um olhar que nos dizia a única coisa que havia para ser dita, e que ele me fez acreditar:

– Fizemos o melhor que pudemos.”

Sócrates sobre Telê.

Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

Comments (4)

  1. Generalizar a torcida do Cruzeiro é sacanagem, hein? Tá de sacanagem?

    A maioria aplaudiu o minuto de silêncio e prestou, assim, homenagem ao Telê.

    p.s.: Máfia Azul é o caralho!

  2. Ana

    Bom.. não entendo muito de futebol, na verdade não entendo nada!
    mas se você está dizendo que ele é o cara! eu acredito.
    =)

    que o futebol renasça com ele.

  3. Quandt

    Nesses termos, vale a leitura do site http://www.nukewhales.com.br/, mais especificamente este post…

    Citando:
    […]Durante uma partida deste esporte só é possível diferenciar atacantes de defensores pela camiseta, ou pela atitude tomada em momentos de atrito: o jogador que levanta as mãos indicando que não fez nada é o defensor – enquanto o caído no chão costuma ser o atacante.[…]
    […]É neste contexto que o futebol se travestiu para uma espécie de jogo da culpa: todos os lances envolvem basicamente um atacante tentando conquistar uma falta a favor de seu time, enquanto o defensor levanta suas mãos para que o juiz possa então decidir se foi uma jogada faltosa ou não.[…]

    É ou não é a mais pura verdade?!?

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