6 de maio de 2004 Felipe

Jovens

Eu não aguento mais essas matérias sobre os jovens e seus medos. Seja na Globo ou na Band, todas tem pautas e edição rigorosamente iguais. A matéria sempre começa com o medo dos jovens de sair à noite, e aí temos um jovem da periferia e um jovem de classe média falando de seus receios. Drogas e depoimentos de mães amendrontadas e aquelas que tem filhos dependentes. Por fim, o(a) repórter fala que “o diálogo é a melhor solução”, e entrevistam uma mãe com seu filho(a) gordinho(a) pré-adolescente. A mãe fala que “aqui em casa, a gente conversa assuntos polêmicos, como sexo e drogas”, passando a mão na cabeça do filhinho. Prestem atenção, é sempre igual.

Aprendi na faculdade que algumas pautas são tradicionais e não tem como fugir de outras, mas nesse caso, é falta de imaginação dos produtores e editores dos jornais. Das três, uma. Ou não havia com o que fechar a edição do jornal, OU uma emissora resolveu pegar carona na outra OU os produtores não sabem como fazer a matéria com uma abordagem diferente.
Só assim pra explicar as três matérias iguais e apresentadas em dias consecutivos pelas duas emissoras.

Felipe

Jornalista mineiro que mora em São Paulo. Interessado em fotografia, comunicação, esportes, música, mobilidade e bicicletas.

Comments (4)

  1. Cara, o lance é o seguinte, esse tipo de enxeção de linguiça(programação é a linguiça da vez neste caso) é ou, no sentido macro, uma simples nuance da tendencia contemporânea da cultura do medo(ou leia-se; adultos tratados como crianças,, e vice-versa), ou no sentido micro, pura falta do q dizer dos produtores e jornalistas, enfim. Assuntos q realmente urgem na vida de hoje, não dariam ibope algum, nem tampouco seria sedutor o suficiente para os telespectadores. Coisas como o “mundo está acabando”, “vamos parar de ver tv”, “o conceito contemporâneo de trabalho, deprime e escravisa”, temas como esses, q são de suma emergência , não seriam solucionados nem tampouco televisionados.
    E se for feita uma análise cuidadosa da grande mídia, há sempre uns 3 ou 4 temas “atuais”(coisas importantíssimas como, “Luxemburgo estuprou ou não a cabeleireira?” Ou, “os dois filhos ricos mataram os pais, com ou sem requintes de crueldade?”) ou então existem matérias como essas de auto-ajuda pública e flagrante demonstração da desestruturação mental da vida de hoje.

    Só há praticamente esses dois tipos de “matérias” na grande mídia.

    Sigamos na cultura do medo…

  2. Felipe

    Lívia, uma coisa é pauta fria e a outra é reprodução de matéria. Mesmo sabendo que as duas reportagens pegaram carona na reportagem da Istoé, sobre o perfil dos jovens brasileiros.

    Acho que, se é pra fazer uma igual, melhor exibir a antiga então. Terá mais credibilidade.

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